Qatar: Erdogan e al-Sisi encontram-se pela primeira vez

Falando à imprensa turca no seu retorno do Qatar, tendo participado na cerimónia – onde foi visto e conversa com António Guterres, secretário-geral da ONU – Erdogan disse, citado pelos jornais do país, que “dissemos que um processo de aproximação pode começar. Demos um sinal”.

Recep Tayyip Erdoğan, presidente Turquia

O aperto de mão entre o presidente turco Recep Erdogan e o presidente egípcio Abdel-Fattah al-Sisi pode vir a ser o mais importante do dia na abertura dos jogos do campeonato do mundo de futebol do Qatar: as duas potências regionais – que, apesar de ambas muçulmanas sunitas, têm um histórico de fortes desentendimentos – será o início do desenvolvimento das relações bilaterais entre os dois países, disse a Presidência egípcia em comunicado.

No seu processo de reaproximação a alguns regimes da região no intuito de fortalecer a sua componente de potência regional – e que passa também, entre outros, pela Arábia Saudita Emirados Árabes Unidos e por Israel – a Turquia pretende iniciar um processo de normalização das relações com o Egipto, disse Erdogan.

Falando à imprensa turca no seu retorno do Qatar, tendo participado na cerimónia – onde foi visto e conversa com António Guterres, secretário-geral da ONU – Erdogan disse, citado pelos jornais do país, que “dissemos que um processo de aproximação pode começar. Demos um sinal”.

“Com essas negociações, vamos estabelecer a paz contra aqueles que se posicionam contra nós no Mediterrâneo”, frisou, para lembrar que os dois países estão frente-a-frente no Mediterrâneo e ambos nas proximidades da Grécia.

O presidente turco usou a passagem pelo Qatar para se reunir com vários líderes árabes convidados pelo anfitrião, o emir Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, incluindo o príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammed bin Salman, o rei Abdullah II da Jordânia e o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmoud Abbas, entre outros.

Erdogan e al-Sisi nunca se tinham encontrado pessoalmente, enfatizam os jornais turcos. Os dois países não enviam embaixadores desde 2013, quando as relações pioraram após a deposição do presidente egípcio Mohammed Morsi pelo chefe militar eal-Sisi, agora presidente. Apesar disso, a embaixada da Turquia no Cairo e o consulado em Alexandria, bem como a embaixada do Egito em Ancara e o consulado em Istambul continuaram com as suas atividades habituais. Morsi era da Irmandade Muçulmana, grupo (mais ou menos) extremista que é supostamente apoiado pela Turquia, mas foi expulso da sociedade egípcia. Os dois países iniciaram consultas entre altos funcionários dos ministérios das Relações Exteriores no ano passado.

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