Qualificações internacionais: o próximo passo para a indústria portuguesa

O futuro da indústria nacional passa, cada vez mais, pela qualificação dos seus profissionais e pelo seu reconhecimento internacional para que possam diferenciar-se num mercado que se vislumbra cada vez mais competitivo.

Quando pensamos em tecnologia, é natural que falemos de negócio associado a digitalização, software e aos mais diversos serviços, sendo estas áreas tipicamente associadas à temática. Mas a tecnologia, e a digitalização, têm um impacto muito mais transversal, com todos os setores a passar por profundas mudanças na forma como operam.

No caso das diferentes indústrias, esta transformação chama-se indústria 4.0, em que aos sistemas tradicionais se adicionam as tecnologias de informação, criando ecossistemas em que os processos digitais passam a ser parte integrante dos processos de fabrico. Inclusivamente, e fruto de uma natural evolução do conceito, existe já uma referência à indústria 5.0, com um foco na interligação entre equipamentos, e na importância da inovação e criatividade humanas, para adicionar à automação de processos a necessária dose de flexibilidade para responder de forma mais célere e personalizada aos desafios dos clientes.

Adicionalmente, há novos desafios que se colocam à indústria, à medida que diferentes soluções, processos, e materiais são introduzidos. Todas estas tecnologias, e outras, são essenciais para responder a novas realidades como a economia circular, armazéns digitais, Fabrico Aditivo/Impressão 3D, “cadeias de fornecimento logístico” mais flexíveis, novos materiais e processos de ligação avançados.

Comum a todos estes desafios, e um dos principais entraves e limitações a esse crescimento, a qualificação e formação dos colaboradores das empresas, num contexto em que várias estimativas apontam para que mais de 35% das competências consideradas importantes hoje terão mudado nos próximos cinco anos e em que a aprendizagem ao longo da vida é uma realidade em qualquer profissão.

Esta é a área de atuação da EWF – European Welding Federation desde 1992 em Portugal, uma associação industrial europeia que desenvolveu um sistema internacional de qualificações em tecnologias de ligação, que não são mais do que as tecnologias que permitem a ligação entre componentes e peças essenciais para os mais diversos setores, e que podem ser o mesmo material ou materiais díspares, com níveis de exigência diversos.

Ao longos destes 30 anos de atividade, que se celebram este ano, a EWF tem apoiado a indústria na formação e qualificação dos profissionais capazes de utilizar estas mais avançadas soluções e processos como importante vetor de competitividade, com um sistema que endereça as realidades dos diferentes mercados. E, é importante reforçar, focando-se em todos os níveis de qualificação, desde o Operador até ao Engenheiro.

A necessidade de qualificar/formar mais pessoas para a indústria está também relacionada com algumas das “revoluções” que estão a ocorrer. Por exemplo, quando abordamos tópicos como Mobilidade Elétrica e o Hidrogénio, é necessário o desenvolvimento e a implementação de novos materiais, novos processos de fabrico e novas soluções digitais. E, de modo a implementar estas soluções todas, precisamos de garantir que os profissionais dispõem da formação adequada.

Qual a relevância de ter qualificações internacionais? Quais as suas vantagens? Uma qualificação reconhecida a nível internacional acaba por ser uma grande vantagem para a pessoa, mas também para a empresa, pois permite que a empresa seja mais competitiva. Ao garantir que os seus colaboradores são formados a um nível reconhecido internacionalmente, a empresa também acaba por receber esse reconhecimento internacional e ver essa sua capacidade de executar reconhecida nos mercados mais competitivos.

A indústria nacional tem vindo a fazer um percurso de excelência, com vários setores a baterem recordes de vendas e com forte crescimento internacional. A continuação deste sucesso, e o crescimento na cadeia de valor, com produções cada vez mais complexas e sofisticadas, depende da capacitação dos recursos humanos.

Os profissionais destas áreas, seja na indústria metalomecânica, dos moldes, aerospacial ou da energia, entre muitos outros têm, obrigatoriamente, de ser capazes de conviver num ambiente de trabalho em que o mundo digital faz parte integrante do sistema produtivo, com necessidade de operar equipamentos tecnologicamente avançados e com capacidade de processamento de informação impensáveis há poucos anos. A indústria 4.0, e a sua evolução em curso para 5.0, vai exigir novas competências fruto dos avanços mencionados acima, daí que as competências mais direcionadas para o cenário digital sejam cada vez mais requisitadas do ponto de vista técnico.

O futuro da indústria nacional passa, cada vez mais, pela qualificação dos seus profissionais e pelo seu reconhecimento internacional para que possam diferenciar-se num competitivo mercado que é, de forma crescente, global. E esse é um dos principais papeis da EWF, garantir que os profissionais e as empresas conseguem aceder a formação e qualificações reconhecidas internacionalmente.

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