Quaresma e a luta pelos direitos da comunidade cigana em destaque na BBC

“Infelizmente, a nossa comunidade ainda é muito discriminada em Portugal. Vimos um país inteiro aplaudir de pé Ricardo Quaresma e cantar o seu nome, mas minutos depois essas mesmas pessoas referem-se a nós como criminosos quando um de nós faz algo de errado”, disse um dos líderes da União Romani Portuguesa ao meio britânico.

Ricardo Quaresma, futebolista nascido em Lisboa com raízes ciganas e que representou a seleção portuguesa em 80 ocasiões, foi destacado num artigo da “BBC” por aquilo que representa na defesa dos direitos da comunidade cigana em Portugal.

Agora com 38 anos, Quaresma fez a formação no Sporting CP, antes de passar por clubes como o Barcelona, FC Porto, Inter de Milão ou Chelsea, mas foi em 2016, quando era jogador do Besiktas, da Turquia que atingiu o “ponto mais alto da carreira”, ao serviço da seleção nacional.

Durante a campanha de Portugal no Campeonato da Europa daquele ano, que culminou com a conquista do troféu, Quaresma marcou golos decisivos e seria um dos heróis da equipa lusa, colocando um país inteiro ao seu lado, naquela que foi a “primeira vez” que um jogador com ascendência cigana conseguiu fazê-lo, de acordo com a “BBC”.

Desta forma, o jogador conseguiu “ter um impacto ainda maior fora de campo”, levando até o “Diário de Notícias” a publicar um artigo intitulado “O nosso cigano é melhor que o deles”, fazendo uma alusão ao internacional francês Andre-Pierre Gignac, também ele com raízes ciganas.

“Obviamente fez-nos orgulhosos ver um membro da nossa comunidade apresentar-se ao nível mais alto, mas ao mesmo tempo é um misto de emoções difícil de explicar”, lembrou Vitor Marques, vice-presidente da União Romani Portuguesa, em declarações prestadas à “BBC”.

“Infelizmente, a nossa comunidade ainda é muito discriminada em Portugal. Vimos um país inteiro aplaudir de pé Ricardo Quaresma e cantar o seu nome, mas minutos depois essas mesmas pessoas referem-se a nós como criminosos quando um de nós faz algo de errado”, sublinhou.

EM 2016, numa entrevista à “SIC”, Quaresma defendeu a mesma ideia.

“Nunca fumei, nunca bebi, nunca experimentei [drogas], nem quis. Mas, porque sou cigano, tenho uma reputação de muitas coisas no futebol”, disse o jogador, que está sem clube desde que deixou o Vitória Sport Club no final da temporada passada.

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