Quatro em cada 10 compras com cartão já são feitas com tecnologia “contactless”

As compras online com cartão continuaram a crescer em Portugal em 2021, bem como a utilização do “contacless”. No final do ano passado, o peso desta tecnologia no total de compras com cartão era de 44% em quantidade e de 30% em valor, revela o Banco de Portugal.

A crise pandémica mudou os hábitos de consumo dos portugueses, mas também a forma como fazem os seus pagamentos. O Relatório dos Sistemas de Pagamentos de 2021, divulgado esta sexta-feira pelo Banco de Portugal, mostra que as compras online continuaram a ganhar força, assim como o “contactless”. Quatro em cada 10 compras com cartão já são feitas com recurso a esta tecnologia.

No ano de 2020, registou-se a primeira redução no número e no valor anual dos pagamentos em Portugal desde 2013. Mas, em 2021, voltou a verificar-se uma evolução positiva. De acordo com o regulador, os portugueses efetuaram 3,1 mil milhões de pagamentos de retalho através do Sistema de Compensação Interbancária (SICOI), no valor de 563,9 mil milhões de euros, valores que correspondem a novos máximos históricos. Estes pagamentos aumentaram 13,7% em quantidade e 12,5% em montante relativamente a 2020.

Foi também um ano em que foram superados valores pré-pandemia: aumentos de mais de 3% na quantidade e de quase 8% no valor dos pagamentos de retalho face a 2019.

As operações com cartão de pagamento, débitos diretos e transferências (incluindo imediatas) aumentaram 13,9% em quantidade e 14,4% em valor e representaram, em 2021, 99,5% do total de pagamentos, com os cartões a continuarem a ser o instrumento preferido para os pagamentos.

Manteve-se, por outro lado, a trajetória de crescimento na utilização da tecnologia “contactless” e das compras online. “Na categoria das operações baseadas em cartão, destacou-se a grande subida na utilização da tecnologia ‘contactless’: 102,2% em número e 130,9% em valor. As compras online com cartão também cresceram — 47,1% em número e 51,8% em valor”, de acordo com o relatório.

No final de 2021, o peso de operações “contactless” no total de compras com cartão era de 44% em quantidade e de
30% em valor.

Sobre incidentes ocorridos em 2021, a entidade liderada por Mário Centeno indica que os bancos reportaram “56 incidentes de caráter severo, o que representa um acréscimo de 40% em relação a 2020”.

Os canais mais afetados por estes incidentes foram o “homebanking” e o “mobile banking”, o que acabou por resultar em períodos de indisponibilidade dos serviços.

Níveis de fraude em níveis “muito reduzidos”

A maior utilização dos canais digitais e dos pagamentos online colocou em cima da mesa o problema da fraude nos pagamentos. Ainda assim, os níveis são baixos. De acordo com o Banco de Portugal, a “utilização dos diferentes instrumentos de pagamento eletrónicos em Portugal manteve-se com níveis de fraude muito reduzidos” no primeiro semestre de 2021, afirma o Banco de Portugal.

De acordo com o relatório divulgado esta sexta-feira, as operações com cartões na ótica da entidade emitente foram aquelas que apresentaram taxas de fraude mais altas (0,03% em quantidade e valor), embora o valor médio por fraude tenha sido o mais baixo (54 euros, em linha com o valor médio de um pagamento com cartão).

Já as transferências a crédito apresentaram um valor médio por transação fraudulenta de 2.647 euros (acima do
valor médio por operação realizada com este instrumento, de 1637 euros), mas apenas três em cada milhão de transferências foram fraudulentas.

“Entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021, registou-se um pequeno aumento da fraude nos cartões de pagamento na ótica do emitente, o que reflete, em grande medida, o aumento de situações de fraude por engenharia social neste último período”, refere, acrescentando que “nas transferências a crédito e nos cartões de pagamento, na ótica dos adquirentes, as taxas de fraude decresceram ligeiramente”.

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