Quatro notas para lá da guerra

Todos os leitores desta coluna já viram reportagens da vida de marajá de Vale e Azevedo em Londres.

Todos os leitores desta coluna já viram reportagens da vida de marajá de Vale e Azevedo em Londres. São hotéis, são restaurantes de luxo, são Bentleys como se nada se passasse. Segundo o saído na imprensa, o ex-presidente do Benfica está acusado de prestar garantias falsas de três milhões em processos judiciais e de tentar burlar o BCP.

A risota vem quando também é notícia que há mais de três anos o tribunal não o consegue notificar dos crimes que o acusa. É um caso de puro gozo do advogado, uma espécie de “Catch me if you can”, como no filme do Spielberg com o Leonardo Di Caprio. Mais vale o tribunal pedir aos jornalistas que o filmam em Londres que lhe levem a notificação. É ridículo.

Há uma semana, após as denúncias de assédio na Faculdade de Direito da Clássica, a Ordem dos Advogados surgiu muito solícita a criar uma comissão de acompanhamento do assunto chefiada por Rogério Alves. Deixo a pergunta: garantirá este insigne causídico que os nomes dos professores envolvidos, muitos deles com certeza também advogados e colegas na Ordem dos Advogados, serão revelados ou esta comissão serve apenas para camuflar as coisas. É que desde que foi anunciada esta comissão nunca mais surgiu nenhum nome suspeito de ser um docente indecente que aproveita o seu poder para molestar alunas e alunos. Pede-se transparência e não encobrimento.

A pedir também transparência e não encobrimento está a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja com inúmeros respeitáveis ilustres. Pelo menos há 16 casos que ainda não prescreveram mas suspeita-se, como divulgou o Expresso, que há bispos no activo a encobrir estes predadores da Igreja, lobos em pele de cordeiros. Ora, estes casos de abusos estão a danificar a imagem da Igreja em várias partes do mundo, não é caso único em Portugal. Cabe agora afastar definitivamente os clérigos alegadamente envolvidos e isolá-los da comunidade para não voltarem a pecar e a manchar a reputação de uma instituição milenar. Com coragem e sem encobrimentos.

Com as suculentas imagens para quem se alimenta da carnificina “voyeurista” da guerra da Ucrânia, narcótico eficaz para não haver espaço na agenda mediática para outras questões, o PSD está numa disputa eleitoral para a qual os portugueses se estão marimbando, o que evidencia o apodrecimento do partido, e o Governo governa sem que se perceba que governa. Aliás, ninguém sabe o que pensam três ministros-chave para as áreas que tutelam e falo de pensamento político e visão estratégica da pasta (não conhecimento técnico pois Elvira Fortunato, por exemplo, tem de sobra). Alguém sabe o que quer este Governo para a Educação ? Não. Alguém sabe o que quer este governo para a ciência ? Não. Alguém sabe o que quer este Governo para a economia? Não. É tempo da política nacional voltar à agenda.

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