Queda do PIB em 2020 foi a maior desde que há registo

Os dados divulgados esta segunda-feira pelo INE confirmam que a queda do PIB em 2020 foi a maior desde que o gabinete regista este indicador, ou seja, 1954. O crescimento médio nas duas primeiras décadas do século XXI fica muito longe do registado em cada década da segunda metade do século anterior, aponta ainda a nota.

A queda do PIB português em 2020 foi a maior desde que há registos, confirmam os dados revelados pelo INE esta segunda-feira nas novas séries longas das contas nacionais. O decréscimo de 8,4% neste indicador supera largamente a queda de 4% registada em 2013, na altura da intervenção da troika no país.

A divulgação desta segunda-feira do gabinete nacional de estatística visa a compilação de séries uniformizadas desde que começaram os registos de vários indicadores, ou seja, desde 1954. Anteriormente, as séries temporais do INE começavam em meados dos anos 90.

Assim, o INE constituiu um grupo de trabalho que “retropolou as séries históricas de forma compatível com aquele referencial metodológico até aos anos 40, respeitando na medida do possível os conceitos atuais, disponibilizando agora séries longas para as principais grandezas estatísticas de contas nacionais portuguesas”, pode-se ler na nota que acompanhou estes dados.

Esta nota informativa faz ainda saber que o crescimento médio da economia portuguesa tem vindo a descer a cada década desde os anos 60. Depois de médias de 4,6% e 4,7% nas décadas de 50 e 60, respetivamente, este indicador médio tem vindo a decrescer, passando para 3,9% em 1970 e 3,4% na década seguinte.

Nos anos 90, Portugal registou ainda uma taxa de crescimento média de 3,0%, um valor que caiu de seguida para os 0,9% em cada uma das duas décadas seguintes.

“Entre 2000 e 2020, o crescimento médio anual do PIB real per capita foi de apenas 0,3%”, acrescenta o documento do INE, reiterando, no entanto, que “este valor está muito influenciado pelos efeitos da pandemia em 2020 – excluindo este ano o crescimento médio foi de 0,8%”.

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