Quercus apela ao Governo que ponha em prática medidas para produção de eletricidade

O apelo da Quercus surge na sequência da divulgação do Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, divulgado no âmbito da cimeira do clima das Nações Unidas que decorre em Katowice, na Polónia, e em que Portugal surge no 17.º lugar (desempenho elevado).

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza apelou esta segunda-feira ao Governo português para que coloque em prática medidas que cumpram os objetivos definidos para setores prioritários de ação e produção de eletricidade e mobilidade.

O apelo da Quercus surge na sequência da divulgação do Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, divulgado no âmbito da cimeira do clima das Nações Unidas que decorre em Katowice, na Polónia, e em que Portugal surge no 17.º lugar (desempenho elevado).

Na sequência dos bons resultados e da apresentação pelo Governo português, na semana passada, do “Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050” (que defende que a próxima década será decisiva para Portugal ser neutro nas emissões carbónicas, com mais setores da economia a virarem-se para a eletricidade produzida a partir de fontes renováveis), a Quercus apela à ação.

“Apesar da ambição do Governo manifestada pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética, durante a apresentação do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (…), agora é necessário demonstrar coragem para implementar medidas que cumpram os objetivos definidos, e o tempo urge”, indica a Quercus.

De acordo com o índice, este ano, Portugal subiu uma posição e ocupa o 17.º lugar, entre os 56 países industrializados abrangidos pelo Climate Change Performance Index (CCPI), o que na verdade corresponde ao 14.º lugar, pois nenhum país está ainda a seguir um caminho compatível com o Acordo de Paris e os três primeiros lugares do pódio permanecem vazios.

Na avaliação sobre Portugal, são destacados aspetos positivos como a representatividade das energias renováveis, as metas ambiciosas para as renováveis para 2030 e a política climática ligada ao objetivo de se tornar neutro em carbono até 2050 e eliminar o uso de carvão até 2030.

Contudo, no índice é apontado “o fraco desempenho” no setor dos transportes, apelando-se a “mais investimentos no transporte público e na mobilidade elétrica”.

“O setor dos transportes, em especial os transportes públicos e a mobilidade elétrica, são apontados como os principais aspetos negativos. De salientar que Portugal é um dos países que apoia o objetivo da União Europeia de alcançar zero emissões líquidas em 2050”, é referido.

A classificação do CCPI é novamente liderada pela Suécia, que ocupa o 4.º lugar (que corresponde ao 1.º lugar dado que os primeiros três lugares se encontram vazios), seguida por Marrocos e Lituânia.

Abaixo de Portugal, abrindo a categoria “médio”, figuram Ucrânia, França, Brasil e entre os piores classificados estão países como os Estados Unidos, Irão, Coreia do Sul e Arábia Saudita.

A melhor classificação foi conseguida no CCPI 2017 (elaborada em 2016), quando Portugal chegou ao 11.º lugar (o qual, descontando os três primeiros lugares não atribuídos, pode ser considerado um 8.º).

O maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, a China, está no 33.º lugar do índice. Entre 2014 e 2016, as emissões chinesas não aumentaram, mas em 2017 e 2018 registou-se novo aumento.

O CPI foi divulgado no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP24), pela associação de defesa do ambiente alemã Germanwatch, pelo NewClimate Institute e pela Rede Europeia para a Ação Climática (CAN Europe), da qual a Quercus faz parte, e alerta para o facto de que poucos países demonstram vontade política para prevenir alterações climáticas perigosas.luz

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