Quinta da Aveleda: “Fomos pioneiros na gestão e racionalização de energia e na valorização da família”

Fonte oficial da Quinta da Aveleda revela ao Jornal Económico que a empresa já mpoupou a emissão de CO2 equivalente a 2,9 milhões de quilómetros percorridos de carro.

Esta é a segunda de uma série de entrevistas integrada num trabalhado alargado desenvolvido pelo Jornal Económico sobre a sustentabilidade no sector dos vinhos do Porto e do Douro. Após a entrevista em versão integral ao presidente do IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, Gilberto Igrejas, esta semana é a vez de fonte oficial da quinta da Aveleda, um dos maiores produtores nacionais de vinho e da região do Douro, explicar quais os projetos de sustentabilidade em curso e em projetos e quais os impactos que têm estado a ter na produçlão desta casa.

Ao longo das próximas semanas, será possível acompanhar no site do Jornal Económico outras entrevistas aos responsáveis de alguns dos maiores produtores da região e do País, como a Sogrape, Quinta do Crasto, Sogevinus, Quinta da Gaivosa, Quinta do Portal ou The Fladgate Partnership, além de testemunhos sobre o que cerca de outros 20 produtores da região a estão a fazer ou a perspetivar no domínio da sustentabilidade.

Que tipo de medidas de sustentabilidade ambiental têm implementado e quando e porque é que optaram por este caminho?
Na verdade, a sustentabilidade na Aveleda era uma preocupação muito antes de se tornar um tema mediático. Já em 1870, quando Manoel Pedro Guedes instituiu a Aveleda enquanto empresa produtora de vinho, fê-lo valorizando também o seu património natural e pensando nas gerações futuras. Foi ele que plantou o extenso jardim que conhecemos na propriedade, que os seus descendentes não só souberam conservar, como também valorizar. Hoje temos mais de 114 espécies botânicas nos nossos jardins – um verdadeiro pulmão verde e um ninho de biodiversidade. A regeneração dos solos e a longevidade das plantas são fatores prioritários nas nossas plantações, que hoje se espalham por cerca de 600 hectares em todo o país. A valorização da água, recorrendo à retenção de chuvas e a um aproveitamento cíclico deste recurso, é também uma preocupação que nos levou a construir charcas em algumas parcelas, que servem também de abrigo a espécies aquáticas e aves migratórias. Somos certificados desde 2001 pela ISO 9001 (Gestão de Qualidade) e desde 2008 pela ISO 14001 (Gestão Ambiental) – 20 anos de uma monitorização atenta dos processos, de melhoria contínua e de um trabalho de raíz sobre o qual os nossos projetos de sustentabilidade hoje assentam. Fomos pioneiros na gestão e racionalização de energia e na valorização da família – certificados desde 2017 como Empresa Familiarmente Responsável, a única do sector.
Se olharmos para a definição de desenvolvimento sustentável – aquele que é capaz de suprir as necessidades atuais, conservando os recursos e assegurando a satisfação das necessidades das gerações futuras – vemos que é isso que a Aveleda tem vindo a fazer ao longo destes 150 anos. E é o caminho que vamos continuar a seguir. Em 2020, decidimos dar a conhecer este percurso e tornar a sustentabilidade algo presente na mente de todos os colaboradores, parceiros e consumidores Aveleda. Temos hoje uma equipa multidisciplinar dentro da empresa dedicada a este tema e que está a acompanhar os projetos dentro da área.

De que forma é que estas medidas de sustentabilidade ambiental se têm refletido na sustentabilidade económica da empresa (de preferência com dados quantitativos sobre poupanças alcançadas, investimento efetuados ou em curso, acréscimo de vendas e outros indicadores que considerem relevantes) e como é que essa vertente tem evoluído nos últimos anos?
As medidas de sustentabilidade têm tido resultados muito positivos (2020 face a 2019): a) + 380k€ (+1,6%) de crescimento em vendas (2020 face a 2019); b) redução no consumo específico de energia elétrica em 7,5%; c) redução no consumo específico de gás e ‘pellets’ na indústria/adegas em 2,5%; d) redução no consumo específico de água na indústria em 4,7%; e) pegada de água: 1,04 litros por cada litro de vinho (atenção: refere-se ao volume de água despendido no processo produtivo. O vinho não tem qualquer adição de água à sua constituição); f) poupámos o CO2 equivalente a 2,9 milhões de quilómetros percorridos de carro; g) evitámos a emissão para a atmosfera de 377,12 tCO2; e h)  cerca de 2000 árvores plantadas por ano.

Quais os novos projetos que têm em curso e em perspetiva para 2021 e anos seguintes?
Temos em curso um projeto que nos vai permitir quantificar e, por conseguinte, diagnosticar, a sustentabilidade na Aveleda de forma mais eficiente e sistemática. Através de uma seleção criteriosa de indicadores, de um processo de avaliação minucioso, e da definição de uma estratégia concreta, queremos ser mais eficientes a atuar sobre os pontos de melhoria identificados. Muitas das nossas práticas sustentáveis estão de tal forma impregnadas no ‘modus operandi’ que muitas vezes não as valorizamos da melhor forma. Queremos por isso desenvolver plena consciência de ‘onde estamos’ e definir em concreto ‘para onde vamos’, onde podemos melhorar. Queremos também que esta mensagem chegue ao consumidor, e que a identidade da Aveleda seja cada vez mais associada a este envolvimento genuíno com a natureza, aos valores da família, de continuidade e de prosperidade que têm norteado o caminho da empresa desde a sua fundação.

Como é que os vinhos resultantes destas medidas de sustentabilidade ambiental chegam ao consumidor de forma em termos de perceção e de preço relativamente aos restantes?
O modo de produção sustentável na Aveleda é transversal às várias marcas e vinhos que produzimos, e o nosso intuito é que este cuidado que temos, enquanto instituição, se reflita em todos os nossos produtos e na mente do consumidor. Por exemplo, o maior controlo e cuidado que procuramos ter sobre o processo de vinificação permitiu-nos certificar a gama de vinhos Aveleda e Villa Alvor como ‘vegan’, assim como os vinhos brancos das marcas Vale D. Maria e Quinta d’Aguieira. Alguns dos vinhos da Quinta Vale D. Maria são também produzidos a partir de vinhas muito velhas, onde a conservação da diversidade de castas em cada vinha (dezenas por parcela, em ‘field blend’) e de práticas de cultivo ancestrais são um atributo fundamental que expressa mais uma vez o nosso cuidado em preservar o património natural e cultural que herdamos, e que explica o valor destes vinhos. Estes são dois exemplos de como as práticas sustentáveis podem chegar até ao consumidor.

Quais são os dados mais recentes sobre a atividade da empresa e perspetivas para 2022 e anos seguintes?
Em 2020, registámos 40 milhões de euros de volume de negócios, com 20 milhões de garrafas produzidas, 13 milhões para exportação e sete milhões para o mercado nacional. Temos presença em mais de 85 mercados. Os principais mercados da Aveleda são Portugal, Canadá, Estados Unidos, Brasil, França e Alemanha. Conseguimos um aumento de produção de 25,9% face ao ano anterior e um aumento de 4,3% nas vendas de marcas prioritárias. A Quinta da Aveleda detém 565 hectares de vinhas próprias.
Quanto a metas para o futuro, pretendemos atinguir um volume de negócios de 50 milhões de euros em 2025 e manter a aposta na sustentabilidade com o novo projeto a ser colocado em prática.

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