Quinta da Boa Esperança: A Oeste, tudo de novo

Foi daqui, da Zibreira, uma aldeola ao pé de Torres Vedras, a cerca de 20 quilómetros retos até ao Oceano Atlântico, que partiu Cristóvão Ferreira, um dos missionários portugueses que no século XVI foram divulgar o Cristianismo em terras do Japão. Uma personagem imortalizada pela obra literária “Silêncio”, do escritor nipónico Shusaku Endo, que inspirou mais recentemente uma adaptação à tela por um dos realizadores de cinema mais aclamados do mundo, Martin Scorcese.

E faz sentido toda esta temática em torno da epopeia lusitana dos Descobrimentos, porque nestas terras, na dita Zibreira, está a vingar uma nova empresa, de gente nova e desafiante. Antes, dava pelo nome de Antigo Casal de João Dias, com mais de um século de existência. Desde o final de 2014, estes terrenos vitivinícolas com uma extensão de cerca de 16 hectares, nem todos para produção neste momento, foram adquiridos por Artur e Eva.

Hoje em dia, a propriedade trabalha com vinhas novas e vinhas velhas, numa área total de oito hectares de vinha em produção, nove hectares de vinha plantados. A curto prazo, prevê-se a plantação de mais 1,5 hectares.

A localização da Quinta da Boa Esperança, numa encosta com direção nascente/poente, apresenta-se com uma das melhores exposições solares possíveis para a maturação das castas tintas. Os solos argilo-calcários, beneficiados pela maresia oceânica e pelas famosas brumas do Oeste, conferem às castas brancas uma salinidade, mineralidade e frescura bastante marcadas. A empresa responde como Casa Agrícola da Gama (apelido de Artur) e as referências dos brancos, tintos e rosés produzidos em crescendo de quantidade e de qualidade apresentam-se com a marca Quinta da Boa Esperança.

Dias, Gama, Boa Esperança são apelidos que reclamam excelentes augúrios para um novo ‘descobrimento’ destes vinhos frescos, equilibrados, estruturados e desafiantes. Tudo isto a acrescentar à épica (e imortalizada) história do missionário Cristóvão Ferreira.

Desta vez, a tentativa é converter os amantes do vinho ao ‘Quinta da Boa Esperança’ Touriga Nacional, tinto de 2015. Não se pode dizer que seja tarefa árdua. É um tinto carregado na cor, granada, muito intensa. No aroma, redondo, suave, com nuances cítricas e de flores. Rico em taninos, para uma degustação longa e harmoniosa. E este é apenas um entre uma dezena de bons vinhos que a Quinta da Boa Esperança nos propõe ‘descobrir’. Sem tormentas de qualquer casta…

Recomendadas

Premium“O desenho pode ser um ponto de partida para começar uma coleção”

“Os portugueses conhecem os seus artistas, respeitam-nos e valorizam-nos”. Palavra de curadora, que é também diretora da única feira dedicada ao desenho em Portugal. Mónica Álvarez Careaga fala ao JE na identidade muito própria da Drawing Room Lisboa e da sua crescente “portugalidade”, que considera ser o reconhecimento de “várias gerações de excelentes artistas” portugueses.

PremiumSom harmonioso

Desenvolvido em segredo, o Co-Axial Master Chronometer Calibre 1932 é o primeiro movimento de relojoaria do mundo a fundir as funções de cronógrafo e de repetidor de minutos, necessitando do seu próprio “cérebro” mecânico para fazer soar o tempo decorrido.

PremiumSobre a necessidade de reinvenção de um continente no século XXI

Uma reportagem recente de um consórcio nacional de jornalistas trouxe para a luz do dia a existência de um número verdadeiramente assustador de elementos das forças de segurança portuguesas que não honram a farda, semeando o ódio, incentivando à violência e demonstrando um feroz racismo, quer contra cidadãos de etnia cigana, quer contra negros.
Comentários