Racismo no futebol: “Há uma onda de consciencialização cada vez mais evidente”, diz ONG

Piara Powar, diretor executivo da FARE Network, afirmou que “neste momento há uma onda de consciencialização cada vez mais evidente no futebol, onde os jogadores se juntam para proteger os colegas que são alvo de comentários racistas, quer seja por parte dos adeptos ou dos próprios adversários”.

A Associação dos Jornalistas de Desporto (CNID) em conjunto com a FARE Network, organizaram um webinar denominado “Futebol e Racismo”, onde foram discutidos alguns dos temas do momento que afetam o mundo do futebol no que à discriminação diz respeito. A falta de oportunidades para as minorias étnicas nos cargos de dirigentes ou os insultos dirigidos a jogadores durante encontros dominaram a sessão.

Piara Powar, diretor executivo da ONG FARE Network, afirmou que “neste momento há uma onda de consciencialização cada vez mais evidente no futebol, onde os jogadores se juntam para proteger os colegas que são alvo de comentários racistas, quer seja por parte dos adeptos ou dos próprios adversários”.

Powar, explicou que, apesar de existirem mecanismos elaborados pelos órgãos de chefia da UEFA e FIFA para condicionar e, em última instância, castigar os envolvidos em incidentes racistas, xenófobos e homofóbicos, é “muito difícil implementá-los sem a ajuda dos respetivos clubes que, não só devem fazer parte da formação da sua massa associativa, como também devem servir como parte integrante da consciencialização das comunidades em redor do clube”.

Nesse sentido, o responsável da FARE Network, elogiou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas federações nacionais na Europa, com destaque para Inglaterra onde, apesar de ainda existirem muitos episódios de discriminação, considera que “está a ser feito um trabalho muito bom na formação dos intervenientes do futebol”.

Sobre Portugal, o assunto que dominou a conversa recaiu sobre os incidentes em Guimarães, com os insultos racistas dirigidos ao jogador do FC Porto, Moussa Marega, que acabaria por abandonar o campo. Powar enalteceu a atitude do jogar, sublinhando que “ele [Marega] ter saído do campo demonstra que já há jogadores que não vão aceitar ser discriminados enquanto desempenham a sua profissão, e bem”.

Ainda assim, Powar apontou para um problema que ficou evidenciado durante o episódio que envolveu Marega, afirmando que “quando o Marega quis abandonar o campo e vários colegas de equipa tentaram impedi-lo, ficou claro para mim que o assunto do racismo não foi um tema discutido no balneário e, muito provavelmente, no seio do próprio clube. Mais uma vez, chamo à atenção para o papel que os clubes têm de desempenhar na consciencialização para este tipo de problemas”.

Por fim, a falta de mulheres a desempenharem cargos de dirigentes em clubes de futebol evidencia outro tipo de discriminação, o da segregação de género. Powar sublinhou que “este é outro dos problemas em evidência no futebol, uma vez que ainda existe uma desconfiança preocupante quanto à capacidade das mulheres em entenderem, não só o futebol, mas os negócios adjacentes”.

“Este problema passa rapidamente para outro que, apesar de não estar diretamente ligado, revela a discriminação ainda muito presente de que também as minorias étnicas não têm lugar nestes cargos de chefia, a começar pela falta de treinadores de minorias étnicas nos países europeus. Se tivermos em conta que em países como a Holanda, Bélgica e até Portugal, onde existem grandes comunidades de africanos oriundos de Marrocos e também de outros países da África central, não há exemplos de treinadores destas etnias, e isso é especialmente preocupante”.

A FARE Network tem vindo a desenvolver um trabalho muito importante com a UEFA e a FIFA, bem como trabalhos mais específicos com algumas federações europeias, onde tem alertado e ajudado a arranjar soluções para os episódios de discriminação que assolam a Europa. No entanto, segundo a organização, há uma perspetiva otimista em relação ao futuro no que toca a estes problemas, uma vez que são cada vez mais as pessoas, incluindo os intervenientes diretos no futebol, que não aceitam que as discriminações perdurem no tempo, escolhendo em vez disso, agir no imediato.

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