Ramstein: Alemanha mantém relutância em enviar tanques para a Ucrânia

A Alemanha continua a afirmar que o envio dos Leopard 2 para a Ucrânia tem prós mas também tem contras e, apesar dos apelos de Kiev, Berlim continua a não querer fornecer aquele equipamento. A Rússia afirma que a vitória da Ucrânia não passa de uma quimera.

Reuters

É possível que a Alemanha acabe por aceitar enviar os tanques de guerra Leopard 2 para a Ucrânia, mas a reunião de Ramstein – onde estão representantes de 50 países que apoiam o esforço de guerra da Ucrânia – serviu já para que as reticências germânicas em alinhar no esforço de defesa conjunto se mantêm.

O novo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, disse, citado pelas agências internacionais, que Berlim não está isolada entre os aliados na pouca vontade em entregar os tanques de guerra a Kiev. A impressão de que “existe uma coligação unida e que a Alemanha está isolada é errada”, disse. “Há muitos aliados que dizem que partilham da opinião que apresentei aqui”, acrescentou.

“Hoje, ainda não podemos dizer quando será tomada uma decisão e qual será essa decisão”, disse Boris Pistorius”. “Existem boas razões para a entrega e existem boas razões contra a entrega, e diante de toda a situação de uma guerra que já dura quase há um ano, todos os prós e contras devem ser pesados com muito cuidado”, afirmou Pistorius, sem explicar ao pormenor quais são os prós e contras germânicos.

Entretanto, e ao mesmo tempo que a reunião acontecia na Alemanha, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, repetia os apelos dos últimos dias: dirigindo-se diretamente a Ramstein, explicou que os seus parceiros precisam “não de negociar sobre diferentes números de tanques, mas abrir o fornecimento que impedirá o mal” de evoluir no território ucraniano. Façam da reunião um ‘Ramstein de tanques’, disse.

Do lado de lá da barricada, a pressão foi ainda maior: o presidente russo, Vladimir Putin, convocou para a mesma hora o seu Conselho de Segurança para debater ao mais alto nível a guerra na Ucrânia. De acordo com a agência de notícias RIA, a reunião contou, entre outros, com a presença do ex-presidente Dmitry Medvedev, do secretário do Conselho de Segurança Nikolai Patrushev, do ministro dos Negócios Estrangeiros Sergey Lavrov e do ministro da Defesa Sergey Shoigu.

“Durante a reunião, houve uma troca de pontos de vista sobre o progresso da operação militar especial”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Que acrescentou que o fornecimento adicional de tanques de guerra a Kiev não “mudará nada de fundamental” e que o Ocidente “arrepender-se-á” da “ilusão” de que a Ucrânia pode vencer no campo de batalha. “Dissemos repetidamente que esse fornecimento não mudará nada, mas adicionará um problema para a Ucrânia e para o povo ucraniano”.

“Vemos um crescente envolvimento indireto e às vezes direto dos países da NATO no conflito. Vemos a ilusão dramática de que a Ucrânia pode ter sucesso no campo de batalha. Este é um dramático delírio da comunidade ocidental”, explicou, citado pela agência TASS.

 

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