‘Ranqueens’, o melhor dos rankings

A riqueza real resume-se a em quem está a seguir, as ‘queens’ dos rankings, nomeadamente critérios como o equilíbrio de género, o nível de internacionalização, a contribuição para os objetivos de desenvolvimento sustentável, entre outros.

Este artigo é sobre rankings. Sugiro que não continue a lê-lo caso não produza rankings mentalmente, não recorra a rankings pontualmente, não se irrite com rankings regularmente, não critique rankings veementemente, não elogie rankings parcimoniosamente, não reaja a rankings perplexamente, não choque com rankings acidentalmente, não refaça rankings afoitamente. Enfim, os rankings – do que quer que seja – vieram para ficar, precisamente porque eles já residiam, de certo modo, na nossa mente.

Num ranking existem várias posições que se encontram matematicamente ordenadas consoante o resultado numérico nos vários critérios. Entre a primeira e a última posições há várias posições intermédias, tal como entre o maior e menor há muitos médios, entre o perto e o longe há muitos meios-caminhos e entre duas intenções há vários meios-termos. A ordenação facilita a nossa compreensão e, consequentemente, a escolha ou, ainda mais importante, a tomada de decisão.

No contexto das escolas de gestão, estes rankings servem um sem-número de stakeholders coletivos, tais como instituições de ensino superior, entidades governamentais e não governamentais, meios de comunicação social ou organizações do meio empresarial e de stakeholders individuais tais como estudantes, professores, investigadores, colaboradores ou administradores. Se, na perspetiva dos estudantes, apoiam principalmente o seu processo de seleção académica, na perspetiva das próprias escolas de gestão são, em primeira instância, uma ferramenta de promoção da visibilidade internacional.

Acima de tudo, para qualquer dos stakeholders, os rankings são sinónimo de comparabilidade, permitindo analisar as classificações de cada escola no ranking geral mas também, e por vezes mais importante, em cada um dos indicadores que compõem os rankings.

É precisamente por isto que a agulha deve ser mudada de ‘rankings’ para as ‘ranqueens’, valorizando as escolas no meio destas tabelas e também os critérios que têm ponderação inferior. Pouco interessa, portanto, quem está no trono – os ‘kings’ dos rankings. A riqueza real destes rankings resume-se a em quem está a seguir – as ‘queens’ dos rankings. Critérios como o equilíbrio de género, o nível de internacionalização, a contribuição para os objetivos de desenvolvimento sustentável, a justiça social, a incorporação das questões ambientais, sociais e de governança, a investigação responsável, a ação climática, ou a pegada ecológica vão ganhando cada vez mais importância.

A introdução e o reforço da ponderação destes indicadores têm contribuído de sobremaneira para a convergência das escolas com os padrões necessários para conseguirmos um mundo melhor. Por exemplo, nos rankings do Financial Times a representatividade das mulheres ao nível do corpo docente, dos estudantes e dos órgãos consultivos, é calculada praticamente deste o início destes rankings – há cerca de 20 anos. Notavelmente, nestas três dimensões, os valores médios começaram por ser 26%, 46% e 19%, tendo passado no último ano para 37%, 49% e 37%, respetivamente. Outro exemplo é o critério da diversidade internacional que passou de 24%, 36% e 37% para 42%, 48% e 43% no último ano.

Caso tenha lido este artigo até aqui, poderá agora criticar os rankings mais fundamentadamente. Não obstante as críticas que podem (e devem!) ser feitas aos rankings, estes dados revelam um importante impacto positivo, encurtando o caminho para uma maior igualdade e equidade na nossa sociedade, mesmo que estas não reinem em todas as nossas mentes.

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