Ratings dos bancos espanhóis superam os dos bancos portugueses. Quem são os melhores e os piores?

Os ratings associados às maiores instituições bancárias em Espanha permanecem acima do nível geral de ratings em Portugal. Mas os bancos portugueses estão a fazer paulatinamente o seu caminho para serem reconhecidos pelas agências de rating. Veja aqui qual o banco com melhor e pior rating entre os principais bancos ibéricos.

Cristina Bernardo

O levantamento dos ratings dos principais players do setor bancário em Portugal e Espanha permite concluir que de um modo geral, os ratings associados às maiores instituições bancárias em Espanha permanecem acima do nível geral de ratings em Portugal.

No entanto, os bancos portugueses têm feito um caminho de melhoria progressiva, estando já a sua maioria (à exceção do Novo Banco) no nível de investment grade de acordo com a classificação da Moody’s, que foi a última a atualizar as classificações.

O banco ibérico com melhor rating é, sem surpresas, o Santander. Com uma capitalização bolsista de 62,6 mil milhões de euros, tem um rating A atribuído pela S&P (em abril de 2018); um rating de A2 pela Moody´s e uma classificação de A- pela Fitch.  Todos eles investment grade (grau de investimento).

O BBVA, com uma capitalização bolsista de 30,8 mil milhões segue-se na liderança da melhor classificação da dívida de longo prazo. A S&P classifica-o como A-, a Moody´s como A2  e a Fitch A- o (em ambas é igual ao que atribuem ao Santander).

Depois o CaixaBank, dono do BPI, que tem um valor em bolsa de 13,4 mil milhões tem, segundo os analistas, um rating BBB+ pela S&P; um rating de A3 pela Moody´s (atribuído em maio deste ano); e um rating da Fitch de BBB+. Todos eles grau de investimento.

O Bankinter com uma capitalização bolsista de 5,3 mil milhões segue-se em quarto lugar do raking do melhor rating. Com uma classificação de BBB+ (igual ao Caixabank) pela S&P; e um rating de A3 pela Moody´s. O Bankinter, desde 2011 que não é avaliado pela agência Fitch.

O Bankia é o outro banco espanhol em análise. Com um valor de mercado de 5,5 mil milhões, tem um rating pela S&P de BBB; de Baa2u pela Moody´s e de BBB pela Fitch. Todos grau de investimento.

E agora os bancos portugueses. O BCP (o único cotado tem uma capitalização bolsista de 3,5 mil milhões) tem um rating de BB pela Standard & Poor´s (com data de outubro de 2018); Baa3 da Moody´s (atribuído em julho de 2019) e BB pela Fitch (rating atribuído em dezembro de 2018). O banco liderado por Miguel Maya, só está em grau de investimento no rating atribuído pela Moody´s, as outras duas agências ainda não subiram a classificação do banco e por isso continua a ser considerado “high yield” (risco elevado).

A Caixa Geral de Depósitos tem um rating de Baa3 atribuído pela Moody´s (igual ao BCP), e trata-se do primeiro nível de investment grade. Mas continua “high yield”  (BB) pela Fitch. Não está disponível o rating da S&P  à CGD.

O BPI tem o rating em investment grade (BBB) pela S&P (atribuído em março deste ano); tem Baa1 (também grau de investimento) da Moody´s e BBB pela Fitch, também grau de investimento.

O Santander em Portugal detém os melhores ratings do setor. As atuais notações de rating da dívida de longo prazo do Banco, em comparação com os níveis da República Portuguesa são as seguintes: Fitch – BBB+ (Portugal – BBB); Moody’s – Baa3 (Portugal – Baa3); S&P – BBB (Portugal – BBB); e DBRS – A (Portugal – BBB), esta informação foi disponibilizada pelo Santander Totta, logo após a revisão em alta dos ratings da Moody´s (em julho).

Os bancos portugueses com melhor rating são naturalmente aqueles que são detidos integralmente pelos bancos espanhóis.

O Novo Banco é o pior do sistema, também sem surpresas. Tem um rating de B2 (high yield) da Moody´s e as restantes agências não o classificaram ainda.

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