Reabertura da representação de Portugal em Kiev seria muito importante, diz embaixadora da Ucrânia

Inna Ohnivets revelou à Lusa revelou estar a trabalhar com as autoridades portuguesas no sentido de articular uma visita à Ucrânia do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.

Rodrigo Antunes/Lusa

A reabertura da Embaixada de Portugal em Kiev seria um passo importante para a segurança na capital ucraniana e para que mais países regressem à Ucrânia, considerou a embaixadora em Lisboa, Inna Ohnivets, em entrevista à agência de notícias Lusa.

“Já muitas outras embaixadas começaram a restaurar o seu trabalho em Kiev”, afirmou a embaixadora da Ucrânia em Portugal, que tem mantido contactos com o Governo português, nomeadamente com o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.

Ainda sem informação sobre a reabertura da representação diplomática portuguesa, Inna Ohnivets defendeu que seria um passo importante, depois de as forças russas terem aliviado a pressão sobre a capital: “Na minha opinião isso é muito importante, porque também vem demonstrar uma segurança para todos em Kiev”.

Quando se passam dois meses desde a invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro, a embaixadora revelou estar a trabalhar com as autoridades portuguesas no sentido de articular uma visita à Ucrânia, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros de lhe ter manifestado esse interesse.

“Vamos trabalhar sobre esta questão, mas eu tive uma videoconferência com o novo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, e ele já visitou a Ucrânia no ano passado. Participou na conferência internacional dedicada à desocupação da Crimeia por meios pacíficos, por meios diplomáticos, e durante a nossa videoconferência ele disse que gostaria de visitar a Ucrânia”, indicou a diplomata, que está em Portugal desde 2015.

“Portugal ajuda muito para que possamos no futuro continuar a nossa vida pacífica e espero que o Governo português apoie a nossa perspetiva europeia e também apoie a Ucrânia com fornecimento de armas”, afirmou, na sequência do pedido que o Presidente do país, Volodymyr Zelensky, endereçou às autoridades portuguesas ao discursar no parlamento, na quinta-feira.

Da Rússia, Inna Ohnivets não espera mudanças de regime, mas acredita que as sanções da União Europeia vão fazer com que “pouco a pouco” a situação se altere.

“A situação vai piorar na Rússia. E também muitos militares russos morreram na Ucrânia. Durante este período de dois meses, mais de 20.000 soldados russos e generais morreram na Ucrânia. Os militares ucranianos defendem a sua terra natal e os militares russos têm o estatuto de ocupantes, de invasores”, disse ao ser questionada sobre o desfecho do conflito.

Para a embaixadora da Ucrânia, a Rússia atual é “muito parecida com a União Soviética” e com o regime de Estaline: “Putin restaurou este regime e isso significa que na Rússia existe o campo de concentração para os russos. Por isso muitos deles têm medo de realizar manifestações, mas claro que os russos que as realizaram, que se atreveram a demonstrar a sua posição contra Putin, têm uma posição heroica, porque na realidade isso é um perigo na Rússia, mostrar a posição real”.

A Embaixada da Ucrânia não mantém qualquer contacto com a Embaixada da Rússia, “uma tradição” já com oito anos, nas palavras da embaixadora, desde “a anexação ilegal da Crimeia”, em 2014.

Inna Ohnivets encara a missão que desempenha como “muito honrosa”, em representação de um Estado que luta pela independência e pela preservação da soberania. “Gostaria de fazer tudo o que for possível para a nossa vitória”, confessou.

“Gostaria de dizer que o povo ucraniano avalia a solidariedade, toda a assistência humanitária prestada à Ucrânia, aos refugiados ucranianos e isso significa que teve um amigo verdadeiro, um povo de coração grande e sincero. Muito obrigada. Força Portugal e Glória à Ucrânia [‘Slava Ukraini’]”, afirmou no único momento em que sorriu abertamente durante uma entrevista a que compareceu vestida de preto e que começou com um aviso.

Precisava de falar de Mariupol, da emergência de retirar milhares de civis e soldados feridos, de um cenário que descreveu como “terrível”.

Recomendadas

Ucrânia: Macron e Scholz pedem a Putin libertação de 2.500 militares de Azovstal

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, pediram este sábado ao presidente russo Vladimir Putin para libertar 2.500 combatentes ucranianos que estavam na fábrica de aço Azovstal, em Mariupol, e foram feitos prisioneiros pelos russos.

Europa devia olhar para África para reduzir dependência do gás russo

“A Europa na minha opinião devia olhar para áfrica. A África tem imenso gás”, disse o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento.

Rússia testa míssil hipersónico que Putin considera “invencível”

O míssil Zircon foi disparado da fragata Almirante Gorshkov no Mar de Barents contra um alvo nas águas árticas do Mar Branco, segundo informações avançadas pelo Ministério da Defesa russo num comunicado citado pela agência de notícias France Presse (AFP).
Comentários