Reacende-se conflito entre Arménia e Azerbaijão sobre Nagorno-Karabakh

O Azerbaijão anunciou que recuperou o controlo de vários locais estratégicos em Nagorno-Karabakh, o que implica uma nova escalada da violência na região. Como sempre, ambas as partes responsabilizam o lado contrário. UE, Rússia e EUA já reagiram.

Nagorno-Karabakh

Os combates intensificaram-se novamente entre a Arménia e o Azerbaijão na região de Nagorno-Karabakh, com mortes e feridos assinalados por ambas as partes. A Arménia acusa o Azerbaijão de violar o acordo de novembro de 2020 – que tentava encerrar a guerra de 44 dias – e o Azerbaijão acusa a Arménia de ter morto um soldado das suas fileiras.

O Azerbaijão acusou também a Arménia de, contra o espírito do acordo, manter grupos armados em atividade na região. O Ministério dos Negócios Estrangeiros azeri disse ainda que a Arménia não cumpriu várias disposições do acordo assinado pelas duas nações mais a Rússia – patrocinadora da assinatura.

O ministério disse que, sob o acordo tripartido, “o contingente de manutenção da paz da Federação Russa é implantado em Karabakh em paralelo com a retirada das forças armadas arménias”, mas que não isso que está a suceder.

“Enfatizamos que o motivo da recente tensão é a presença de tropas armadas arménias ilegais nos territórios do Azerbaijão e a existência provocações instigadas por essa presença. O incidente sangrento e a morte de um soldado do Azerbaijão em 3 de agosto é precisamente o resultado do fracasso da Arménia em cumprir as suas obrigações”, dizia o comunicado.

O Azerbaijão disse que lançou uma operação de retaliação contra as forças arménias depois de estas abrirem fogo e matarem um soldado. “Na manhã de 3 de agosto, membros de destacamentos armados arménios ilegais no território do Azerbaijão, onde o contingente de manutenção da paz russo está temporariamente implantado, foram submetidos a intenso fogo das posições do exército do Azerbaijão estacionadas em direção à região de Lachin”, dizia por seu turno um comunicado do Ministério da Defesa azeri.

O ministério disse que o Azerbaijão “tomou medidas relevantes” e lançou uma operação de contra-ataque depois de as forças arménias terem tentado tomar a colina do Quirguistão e estabelecer novas posições de combate”.

“Como resultado das medidas de retaliação realizada pelas unidades do exército do Azerbaijão, o pico Girkhgiz, bem como Saribaba ao longo do cume Karabakh do Pequeno Cáucaso e várias outras alturas importantes foram tomadas sob controlo“, acrescentava o comunicado.

A violência provocou reação imediata da Rússia, que acusou Baku, capital do Azerbaijão, de violar o frágil cessar-fogo. A União Europeia pediu uma “cessação imediata das hostilidades”. “É essencial diminuir a escalada, respeitar totalmente o cessar-fogo e regressar à mesa de negociações para se encontrarem soluções negociadas”, disse um porta-voz do chefe de política externa da União, Josep Borrell, em comunicado.

“A União Europeia continua empenhada em ajudar a superar as tensões e em continuar o seu compromisso com a paz e a estabilidade sustentáveis ​​no Sul do Cáucaso”, acrescentava o documento.

Os Estados Unidos também expressaram que estão “profundamente preocupados” com os combates entre a Arménia e o Azerbaijão, disse um porta-voz do Departamento de Estado. “Pedimos medidas imediatas para reduzir as tensões e evitar uma maior escalada da violência”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, também em comunicado.

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