Marcelo Rebelo de Sousa enaltece longa coabitação com António Costa

O Presidente da República realçou a sua longa coabitação com o atual primeiro-ministro, António Costa, que já dura há seis natais, só ultrapassada pela de Mário Soares com Cavaco Silva.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou esta quinta-feira a sua longa coabitação com o atual primeiro-ministro, António Costa, que já dura há seis Natais, só ultrapassada pela de Mário Soares com Cavaco Silva.

O chefe de Estado, que falava no Palácio de Belém, em Lisboa, na tradicional cerimónia de apresentação de boas festas por parte do Governo, assinalou, por outro lado, que no Natal passado era ele candidato a eleições presidenciais em janeiro, e agora é António Costa quem se encontra em situação idêntica, com legislativas antecipadas igualmente em janeiro.

O primeiro-ministro, que discursou primeiro, afirmou que “é sempre um gosto” cumprir esta tradição de apresentar votos de feliz Natal e bom ano novo ao Presidente da República. “Correspondente ao prazer que temos em trabalhar consigo. É um prazer que assenta nesta experiência já duradoura, que mereceu, aliás, reconhecimento dos portugueses na sua reeleição este ano”, acrescentou.

Segundo António Costa, nestes anos de convivência tem havido “uma visão comum” sobre “o papel institucional dos diferentes órgãos de soberania, a garantia do escrupuloso respeito pelas instituições judiciárias, o entendimento do sentido de solidariedade institucional entre a Assembleia da República, o Presidente da República, o Governo”.

Em seguida, no início da sua intervenção, após saudar o primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa referiu: “Eu estive a investigar, porque, como diz vossa excelência, isto é uma tradição, estive a investigar quantas vezes ocorreu a tradição com os meus antecessores”.

“E o que é facto é que no caso vertente é a sexta vez que há oportunidade de haver esta cerimónia de apresentação de cumprimentos com um Presidente da República, o mesmo, e o mesmo primeiro-ministro. Foi ultrapassada só uma vez, sendo Presidente da República o Presidente Mário Soares e primeiro-ministro o primeiro-ministro Cavaco Silva. Tirando esse caso, não encontrei mais do que duas, três, quatro, cinco vezes, se tanto”, realçou.

Dirigindo-se a António Costa, o Presidente da República apontou outro dado, comparando esta cerimónia com a de dezembro de 2020: “É que há um ano era vossa excelência primeiro-ministro com mandato até 2023 e era eu Presidente e candidato a umas eleições em janeiro. Este ano sou eu Presidente até 2026 e é vossa excelência primeiro-ministro e candidato a primeiro-ministro numas eleições em janeiro”.

“Eu recordo-me que vossa excelência foi muito hábil na fórmula como se exprimiu para não tomar uma posição que violasse os deveres de isenção. E é mais ou menos a mesma fórmula que eu tenho presente no meu espírito. E os portugueses, ao reverem as imagens do ano passado, poderão verificar”, observou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre as eleições legislativas que convocou para 30 de janeiro, ao dissolver o parlamento, na sequência do chumbo do Orçamento do Estado para 2022, o Presidente da República disse “esperar que seja um ato cívico importante, que decorra num contexto em que os portugueses percebam a importância do que está em causa, quanto à calamidade, quanto aos fundos europeus, quanto à recuperação, reconstrução, superação económica e social”.

“E que, do mesmo modo que reconheço que foi excelente – que foi a expressão utilizada por vossa excelência – a cooperação institucional entre Presidente e primeiro-ministro, tenho a certeza que será também uma cooperação idêntica a que haverá com o primeiro-ministro que os portugueses escolherem na base da sua reflexão sobre o passado próximo e sobre o futuro que se avizinha”, declarou.

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