Receitas manuais e doentes em risco a partir de janeiro, alerta Ordem dos Médicos

O bastonário da Ordem dos Médicos pediu nesta terça-feira, 29 de Dezembro ao Governo para resolver o problema de um pequeno número de médicos que devido à idade têm maior dificuldade de adaptação aos meios informáticos. Miguel Guimarães revela que, por essa razão, dentro de dias poderão deixar prescrever manualmente os medicamentos de que os doentes necessitam. Alerta surge a dois dias do fim do prazo para as receitas em papel.

Dentro de poucos dias, se nada for feito, um grupo de médicos deixará de poder prescrever manualmente os medicamentos de que os doentes necessitam, passando a existir apenas a possibilidade de serem utilizadas as receitas eletrónicas. Em causa está o fim do prazo de transição previsto na Portaria que prevê o processo de desmaterialização das receitas em papel, cujo prazo termina a 31 de dezembro.

O bastonário da Ordem dos Médicos avança, em comunicado, que já alertou o Ministério da Saúde para este problema e, apesar da insistência, ainda não obteve resposta. “Estamos perante um pequeno número de médicos, que, maioritariamente por razões relacionadas com a idade, têm dificuldades de adaptação aos meios informáticos. Estamos a falar de um conjunto de médicos que foram determinantes na construção dos cuidados de saúde em Portugal. Numa altura crítica, em que o acesso a cuidados de saúde tem já tantas dificuldades, e sendo este problema de resolução tão simples, não se entende o silêncio da tutela”, avança Miguel Guimarães.

Este responsável recorda que, “em abril, foi publicada uma Portaria que adiava este prazo para 31 de dezembro de 2020, precisamente pela situação pandémica que o país atravessava, e dificuldade dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde em prosseguirem com formações. Em plena segunda vaga não se percebe, assim, o que terá melhorado”.

“Os médicos colaboraram sempre de forma exemplar no processo de desmaterialização da receita, mesmo utilizando um sistema informático que falha muitas vezes, que atrasa consultas e outros procedimentos. Não se entende, por isso, que a tutela não resolva esta situação urgente, que terá um impacto negativo nos doentes”, reforça o bastonário.

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