A recuperação do emprego não está garantida

É necessário, enquanto ainda é tempo, que o Governo coloque o eleitoralismo de lado e exerça as suas funções a pensar exclusivamente no superior interesse nacional.

No início de 2001, a população portuguesa empregada ascendeu a 5,1 milhões. Como no terceiro trimestre de 2016, a mesma foi ligeiramente superior a 4,6 milhões, tal significa que Portugal possui hoje praticamente menos meio milhão de trabalhadores quando comparado com o início deste século.

A destruição avassaladora de emprego ocorreu entre o terceiro trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2013, tendo o total da população empregada diminuído em perto de 800 mil neste período – um verdadeiro desastre para o qual não estávamos preparados.

Em meados de 2013, quando muito poucos acreditavam, iniciou-se finalmente a recuperação económica e desde então, a população empregada já aumentou em 307 mil: 72% deste valor corresponde ao tempo do governo de Passos e Portas, e 28% ao de Costa.

Analisando as estatísticas de forma mais aprofundada, constata-se que estes novos empregos respeitam aos sectores dos serviços e da indústria, e abrangem a população que possui um nível de escolaridade mais elevado, isto é, com formação igual ou superior ao ensino secundário. A maior parte destes contratos tem horário de trabalho completo mas não tem termo – em teoria são os mais seguros –, e pressupõe um rendimento líquido mensal que varia entre os 600 e os 1.800 euros, portanto, acima do salário mínimo nacional.

Esta realidade no mercado de trabalho, que não é perfeita, mas que é bem melhor do que aquela que destruía emprego, não está de todo garantida. Se Costa insistir nas reversões, ao invés de apostar em reformas, então a economia perderá competitividade, logo será incapaz de atrair investimento e de continuar a criar novos postos de trabalho.

É por isso necessário, enquanto ainda é tempo, que o Governo coloque o eleitoralismo de lado e exerça as suas funções a pensar exclusivamente no superior interesse nacional. Como a História já fez questão de nos ensinar, o facilitismo do presente acaba invariavelmente por ser pago no futuro com um – parafraseando Vítor Gaspar – “enorme aumento de impostos”.

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

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