Redução do consumo de gás na Europa. Bruxelas e Berlim enfrentam “rebelião” dos países do sul

O alinhamento da Comissão Europeia com Berlim parece ser perfeito neste debate já que o argumento é simples, como escreve o “El Economista”: se a Alemanha cair, caímos todos.

Se a crise das dívidas soberanas colocou os países do sul da Europa na ‘mão’ dos países do norte, a proposta da Comissão Europeia para redução do consumo de gás inverteu esses papéis. Agora, é a vez da Alemanha pedir ajuda a países como Portugal, Espanha e Grécia.

O plano da Comissão Europeia no sentido dos países reduzirem o consumo de gás russo perante o mais que provável corte de abastecimento não agrada a boa parte dos países da periferia, sobretudo os países do sul que criticaram Bruxelas de não terem sido consultados. Bruxelas e Berlim querem que os 27 países da UE cortem 15% do consumo de gás e promete agitar a reunião dos ministros ligados ao sector da Energia na próxima quarta-feira.

A Alemanha tem o apoio dos Países Baixos, Dinamarca, Luxemburgo e defende Olaf Scholz que “a solidariedade europeia deve ser para todos e que a proposta de Bruxelas é “correta”. O alinhamento da Comissão com Berlim parece ser perfeito neste debate já que o argumento é simples, como escreve o “El Economista”: se a Alemanha cair, caímos todos. “Nenhum de nós pode cometer o erro de pensar que só um país pode sair afetado. O que pode começar na energia, pode converter-se num problema económico e não interessa a ninguém ter que enfrentar as consequências de dificuldades na economia alemã”, destacou o porta-voz da Comissão, Europeia, Eric Mamer.

Para os países do sul, o mal estar começa no facto deste plano parecer ter sido concebido para servir os interesses da Alemanha. Espanha, através da ministra da Transição Ecológica Teresa Ribera, considera o corte de 15% um “sacrifício desproporcionado”: “A contrário de outros países, os espanhóis não têm vivido acima das suas possibilidades do ponto de vista energético”.

A posição de Portugal também é destaca neste jornal espanhol, com ênfase de que o Governo português considerou o texto da proposta de Bruxelas “inaceitável”.

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