Redução do tráfego rodoviário urbano: casos estudo selecionados

As cidades mundiais têm aplicado um conjunto diverso de iniciativas no sentido de reduzir o tráfego urbano, mas a sua eficácia não é facilmente quantificável.

As cidades mundiais têm aplicado um conjunto diverso de iniciativas no sentido de reduzir o tráfego urbano, mas a sua eficácia não é facilmente quantificável.

O tráfego rodoviário é a segunda maior fonte de emissões poluentes na Europa. As emissões dos transportes aumentaram em mais de um terço nos últimos 30 anos.

Na Europa, as cidades têm aplicado diferentes estratégias para limitar o tráfego rodoviário. Um estudo recente da Universidade de Lund, Suécia, quantificou a eficácia destas iniciativas. O estudo baseia-se em dados recolhidos na última década, sistematizados em 800 casos estudo. O ranking seguinte reflete a taxa de sucesso na redução do tráfego urbano.

1. Taxa de congestionamento: os condutores pagam uma taxa para entrar no centro urbano; as receitas geradas revertem para mecanismos de transporte sustentável. Milão, Estocolmo e Gotemburgo aplicam este mecanismo e Londres, uma das pioneiras, reporta uma redução de 33% no tráfego no centro urbano desde 2003.

2. Controlo de estacionamento e tráfego: redução do número de lugares de estacionamento e substituição por vias cicláveis, pedonais e ruas livres de trânsito. Em Oslo, esta estratégia permitiu reduzir o tráfego urbano em 19%.

3. Zonas de tráfego limitado: criação de zonas de circulação exclusiva para residentes, cujas multas revertem para o sistema de transporte público. Roma e Florença aplicam esta estratégia, com uma redução de tráfego de 20%.

4. Serviços de mobilidade: em Utrecht, os cidadãos que vão para o trabalho têm uma combinação de transporte público gratuito e uma rede de shuttles. Entidades públicas e privadas colaboram neste mecanismo, que reporta uma taxa de eficácia de 37% na utilização do carro.

5. Taxa de estacionamento no local de trabalho: os colaboradores pagam para estacionar no local de trabalho, existindo mecanismos de cash-out que os incentivam a usar o transporte público. Em Roterdão, gerou uma redução de 20 a 25% na utilização do carro.

6. Serviços de mobilidade em universidades: redução dos lugares de estacionamento no campus, descontos em transportes públicos, e disponibilização de serviços de mobilidade a alunos e colaboradores (combinação de transporte público gratuito e shuttles). A universidade de Bristol reportou uma redução da utilização de carro pelos colaboradores de 27%; San Sebastián reportou uma redução de 7% na população de colaboradores e estudantes.

7. Car sharing: acesso a plataformas de car sharing para deslocações para o trabalho. Bremen e Génova reportam uma redução de 12-15 carros privados por cada carro partilhado, principalmente através da cobertura das áreas residenciais e integração com a rede de transporte público.

8. Planeamento de viagens escolares: promoção da utilização de modos suave de mobilidade. Brighton & Hove e Norwich reportam uma redução de 8% na taxa de utilização do carro.

9. Planeamento personalizado de mobilidade: descontos em transportes públicos e programas de promoção dos modos suaves. Marselha, Munique, Maastricht e San Sebastián têm vindo a desenvolver aplicações para análise e planeamento de rotas para residentes individuais, e reportam uma redução de 8% na taxa de utilização do carro entre os residentes.

10. App de mobilidade sustentável: Bolonha criou um sistema digital que recompensa (através das empresas parceiras) cidadãos e colaboradores de empresas pela distância percorrida em modos suaves e transportes públicos.

O estudo sustenta que a aplicação de iniciativas isoladamente não permite atingir os objetivos de redução de tráfego urbano. As cidades líderes em mobilidade aplicam estas iniciativas em conjunto, combinando aquelas com potencial de promoção de boas práticas, e as que restringem ou proíbem determinados comportamentos prejudiciais. n

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