Referendo em Itália: a Europa outra vez no fio da navalha

A instabilidade política pode atirar o país para uma crise que agravará as dificuldades da economia e do sistema financeiro. O BCE está em pânico.

Giampiero Sposito/Reuters

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, tem pela frente, no domingo, o imenso desafio de alterar em profundidade o equilíbrio de forças políticas do país – na tentativa de subtrair o poder executivo ao escrutínio que ele próprio considera excessivo e entorpecedor das duas câmaras, a dos deputados (615 membros) e a dos senadores (315 membros).
Mas tanto para o governo de Renzi como para a esmagadora maioria dos agentes e analistas políticos europeus, o que está novamente em causa, no referendo, é o futuro da Europa. Isto é: se o ‘sim’ que Renzi apoia ganhar, o país colocará as infraestruturas políticas no estaleiro e reconstruí-las-á desde as suas fundações; se ganhar o ‘não’ (que o antigo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi apoia), o país pode ficar à beira do colapso. Até porque, convém não esquecer, o sistema financeiro italiano está a um passo da catástrofe.

A tudo isto soma-se o Brexit e a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos e está traçado o cenário para mais um dia ‘D’ relativamente ao futuro da Europa. Ou então não é nada disso: o referendo italiano só é um problema para a Europa “dadas as fragilidades das instituições europeias”, disse ao Jornal Económico o antigo embaixador Francisco Seixas da Costa. E é por isso que qualquer problema interno em algum dos países da União (“principalmente dos maiores”) deixa Bruxelas em estado de sítio.

Mas a questão italiana é, para Seixas da Costa particularmente endémica e potencialmente sistémica por outra razão: “não estamos a falar de pequenos países como Portugal ou a Grécia, estamos a falar de Itália, que, juntamente com Espanha, pode ser um grande problema para o Banco Central Europeu (BCE)”.

Leia a notícia na íntegra na edição impressa do Jornal Económico, já nas bancas.

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