Registos de novas armas aumentaram 48% desde a tomada de posse de Bolsonaro

Os dados mostram que um aumento se tem registado desde os últimos anos mas que se acentuou com a chegada de Bolsonaro ao poder. Este é o valor mais alto desde 1997, ano em que se começou a fazer esta recolha de dados. 

Uma das promessas de Bolsonaro durante a sua campanha presidencial foi a facilitação para a aquisição e posse de armas no Brasil. Agora, quase um ano depois desde a sua eleição, foi feito um levantamento do número de armas registadas desde a sua chegada ao Palácio de Planalto e conclui-se que os registos atingiram o valor mais alto das últimas décadas.

Na notícia avançada pela Folha de S. Paulo, esta sexta-feira, é revelado que até novembro, os novos registos concedidos pela Polícia Federal para posse de armas aumentaram 48%, passando de 47,6 mil em 2018 para 70,8 mil nos primeiros 11 meses de 2019. Este é o valor mais alto desde 1997, ano em que se começou a fazer esta recolha de dados.

Para os civis, esta permissão é para a posse das armas, mantidas em casa e no comércio. O jornal esclarece que números foram conseguidos através da Lei de Acesso à Informação e também no portal da CGU (Controladoria Geral da União), que abriga todos os pedidos realizados.

Separadamente, a publicação referiu ainda o número de registos de novas armas feitos por caçadores, atiradores e colecionadores, concedidos pelo Exército. Neste caso, as novas armas passaram de cerca de 60 mil em 2018 para 65 mil nos primeiros 11 meses deste ano, uma variação de 8%.

Defensor das armas como instrumento de defesa, o presidente já editou oito decretos relacionados a posse de armas. As medidas facilitam autorizações e regras para impedir que pessoas sem porte de arma se desloquem com elas.

Os novos pedidos de licença e porte de armas têm vindo a aumentar nos últimos anos, pelo menos desde 2017, conta o jornal. Porém, o que impulsiona ainda mais esta prática é a normalização da arma que tem como figura de propaganda o próprio presidente da República.

O advogado Ivan Marques, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública explica ao jornal que um dos pontos que impediu um aumento ainda maior de armas em circulação é o preço mínimo de 3.500 reais (77 euros), ou seja, um valor acima do poder de compra da maioria da população. A fabricante brasileira Taurus Armas, porém, planeia lançar a arma mais barata do mundo.

Enquanto isso, os brasileiros têm buscado variedade e qualidade lá fora. De acordo com uma notícia também avançada pela Folha de S. Paulo, entre janeiro e agosto as importações de armas bateram recorde, tendo chegado ao país 37,3 mil revólveres e pistolas. Nos primeiros oito meses do ano passado, para comparação, foram importadas 17,5 mil armas dessas categorias.

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