Regulador da concorrência na Alemanha acusa Facebook de abuso de posição dominante

“Vemos a recolha de dados fora da rede social Facebook e a sua inclusão na conta da Facebook como algo problemático,” declarou Andreas Mundt, presidente do Bundeskartellamt. Em causa está o modelo de “publicidade direcionada” da rede social que utiliza os dados pessoais dos seus utilizadores como fonte de rendimento.

O Bundeskartellamt, entidade reguladora da concorrência na Alemanha, chegou à conclusão de que a empresa Facebook abusa da sua posição dominante no mercado. De acordo com a Reuters, em causa está o modelo de “publicidade direcionada” da rede social que utiliza os dados pessoais dos seus utilizadores (cerca de dois mil milhões em todo o mundo) como fonte de rendimento.

Na apresentação das conclusões preliminares de um inquérito que desenvolveu ao longo de 20 meses, o Bundeskartellamt declarou que a Facebook detém uma posição dominante entre as redes sociais. Por seu lado, a Facebook já protestou contra essa caracterização que considera ser “incorreta”, mas diz que vai colaborar com as autoridades alemãs.

A entidade reguladora opõe-se a que a Facebook obtenha acesso a dados de terceiros quando se abre uma conta (inclusive oriunda do WhatsApp e do Instagram, duas plataformas que também detém). Por outro lado, considera problemática a forma como a Facebook monitoriza as páginas a que os seus utilizadores acedem.

“Acima de tudo, vemos a recolha de dados fora da rede social Facebook e a sua inclusão na conta da Facebook como algo problemático,” declarou Andreas Mundt, presidente do Bundeskartellamt.

A Reuters salienta que esta situação está a ser acompanhada com grande atenção na Alemanha, onde as preocupações em torno da privacidade dos dados pessoais são mais fortes por causa do contexto histórico: quer o regime nazista, quer o regime comunista (nesse caso, apenas na Alemanha de Leste) montaram redes totalitárias de vigilância dos cidadãos. Aliás, a Facebook lançou recentemente uma campanha publicitária com o objetivo de dissipar esses receios.

Paralelamente a este processo, as autoridades alemãs vão aplicar uma nova lei, no início de 2018, impondo multas até 50 milhões de euros a plataformas de “social media” que não removam prontamente mensagens que propaguem discurso de ódio, considerado como crime na Alemanha.

Relacionadas

Como um dos criadores do Facebook se tornou no mais rico de Singapura

Eduardo Saverin, que esteve ao lado de Zuckerberg na criação da rede social, nasceu no Brasil mas é o mais rico da Singapura.

Facebook deixa de faturar na Irlanda lucros gerados noutros países

A facturação na Irlanda desses lucros obtidos em vários países permitia ao Facebook poupar milhões em pagamento de impostos, graças à política fiscal mais vantajosa dos irlandeses.

Facebook, Google e Microsoft entre as empresas que menos impostos pagam nos EUA

Entre as que menos pagam estão as tecnológicas, sendo que no terceiro trimestre do ano, o Facebook pagou apenas 10% de impostos, apesar de ter aumentado os lucros em 80% para 4.700 milhões de dólares.

“Venda as ações do Facebook”: a surpreendente recomendação de um ‘analista robot’

A máquina foi criada com o intuito de ajudar os analistas a tomar decisões mais imparciais, tendo em conta o crescente descrédito dado a analistas humanos, que se acredita que sejam cada vez mais influenciados por interesses pessoais ou de terceiros.
Recomendadas

Médicos dão prazo de duas semanas para Ministério da Saúde marcar reunião

“Já fizemos seguir o pedido de reunião ao senhor ministro [da Saúde, Manuel Pizarro] e solicitámos que essa reunião se desenvolva com a celeridade que deve e estabelecemos um limite para nas próximas duas semanas sermos convocados para essa reunião”, adiantou Noel Carrilho.

Número de trabalhadores em layoff clássico cai 6% em agosto

Os empregadores recorreram menos ao layoff clássico em agosto do que no mês anterior. Caiu 6% o número de trabalhadores abrangidos.

Teixeira dos Santos defende que aumentar pensões e Função Pública não alimentaria inflação

Em entrevista ao Público, o ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos não só não acredita que aumentar as pensões e os salários da Função Pública alimentaria a espiral inflacionista, como atira que o Governo tem de esclarecer melhor o argumento utilizado pelo Governo para limitar as atualizações regulares a que os pensionistas teriam direito.
Comentários