Reino Unido diz que negociações sobre o Brexit podem arrastar-se além do Natal

O ministro de Estado britânico, Michael Gove, quer garantir que o parlamento tem uma palavra a dizer e hipótese de analisar qualquer acordo que seja alcançado com a União Europeia.

Stefan Wermuth / Reuters

O ministro do Estado britânico disse esta quinta-feira que as negociações comerciais com a União Europeia sobre o Brexit podem arrastar-se até depois do Natal, apesar de reiterar que o Reino Unido espera chegar a um acordo comercial com Bruxelas.

“Quando pensamos sobre o verdadeiro prazo [31 de dezembro 2020], espero que possamos concluir um acordo o mais rápido possível, mas as negociações podem continuar até depois do Natal”, disse Michael Gove numa comissão parlamentar em Londres.

O ministro de Boris Johnson, que antes afiançava que as hipóteses de chegar a consenso eram de menos de 50%, garantiu que o país “quer garantir que o parlamento tem uma palavra a dizer e hipótese de analisar qualquer acordo que seja alcançado, de forma realista, nos dias imediatamente após o Natal”.

O Parlamento Europeu definiu como data limite para um acordo pós-Brexit este domingo, sob pena de não ratificar o documento antes do final do período de transição, que termina no réveillon para o país deixar efetivamente a lista de Estados-membros no primeiro dia do ano.

Se o acordo for alcançado até segunda-feira poderá realizar-se uma reunião plenária de emergência até ao fim deste mês, porque os eurodeputados pretendem “debater o resultado das negociações e considerar se dá o seu consentimento”, segundo o comunicado da conferência de presidentes da instituição, que se reuniu hoje.

Michael Gove assegurou que as negociações não vão prolongar-se para lá de 2021 e que tanto o Reino Unido como a União Europeia negociarão através da Organização Mundial do Comércio se não houver o tal acordo de livre comércio (FDA, na sigla anglo-saxónica). “É claro que haverá, tal como haveria entre qualquer conjunto de vizinhos, conversas”, declarou o ministro britânico, citado pela agência Reuters.

Von der Leyen diz que há “um caminho muito estreito” para acordo comercial com Reino Unido

Recomendadas

APAVT diz que é fundamental poder prorrogar pagamento de dívida contraída na pandemia

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) considera ser fundamental a possibilidade de prorrogar o pagamento do serviço da dívida contraída na pandemia, dado que os processos de recapitalização para as empresas não tiveram sucesso.

Covid-19: China anula várias medidas de prevenção e sinaliza fim da estratégia ‘zero casos’ (com áudio)

O Conselho de Estado (Executivo) anunciou que quem testar positivo para o vírus pode, a partir de agora, cumprir isolamento em casa, em vez de ser enviado para instalações designadas, muitas vezes em condições degradantes.

Covid-19: Pandemia provocou mais 300 mil mortes na UE do que as oficiais, diz OCDE

“No final de outubro de 2022, mais de 1,1 milhões de mortes de covid-19 foram reportadas em todos os 27 países da UE, mas os dados sobre o excesso de mortalidade sugerem que se trata de uma subestimativa e que mais 300 mil pessoas morreram devido ao efeito direto ou indireto da pandemia”, refere o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Comissão Europeia (CE).
Comentários