Reino Unido “fracassou na recuperação da economia”

O Instituto de Estudos Fiscais britânico afirma que a primeira grande mossa recente à economia britânica foi o Brexit. A partir daí, os governo britânicos tomaram medidas contraproducentes.

O povo britânico “ficou muito mais pobre” depois de uma série de “objetivos económicos” tornaram a recuperação muito mais difícil do que poderia ter sido, disse Paul Johnson, diretor do Instituto de Estudos Fiscais (IFS). Citado por vários jornais britânicos, Johnson disse que o Governo, que acaba de apresentar aquilo a que os britânicos chamam a ‘declaração de outuno’, “está a colher os custos de um fracasso de longo prazo em fazer a economia crescer”.

A declaração de Jeremy Hunt, ministro das Finanças, na quinta-feira, revelou que o Reino Unido já está em recessão, que deve durar mais de um ano e derrubar 2% do PIB e empobrecer o rendimento das famílias em 7%.

“A verdade é que ficámos muito mais pobres. Estamos numa jornada longa, difícil e desagradável; uma jornada que se tornou mais árdua do que poderia ter sido devido a uma série de objetivos económicos”, disse Johnson, líder de uma importante organização de acompanhamento das políticas económicas do Governo.

“Claramente, o Brexit foi um murro contra a economia”, disse Johnson. “Economicamente falando, o Brexit tem sido uma péssima notícia. Obviamente, o miniorçamento de há uns meses atrás não ajudou”.

A Resolution Foundation, outra entidade que acompanha a economia dos britânicos, disse que as perspetivas para os padrões de vida são agora “verdadeiramente sombrias”. A fraca previsão de alta dos salários e a inflação significa que os rendimentos dos trabalhadores “não retornarão ao nível de 2008 até 2027”.

O IFS criticou a decisão de Hunt de adiar os planos de assistência social: “É terrível que as reformas não sejam aumentadas no próximo ano, como esta planeado”, disse Johnson, acrescentando que temia que o atraso de dois anos “equivale a uma sentença de morte” para as mudanças que se previam.

“O Governo não deveria fazer e depois desfazer promessas como esta, que são tão importantes para pessoas vulneráveis”, disse. “Estamos a caminhar para outra década perdida de crescimento dos rendimentos”.

Os desafios fiscais nos próximos anos serão severos, quer o crescimento económico acelere ou não, disse o IFS. “Os impostos serão realmente muito altos”, concluiu Johnson.

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