Reino Unido quer cortar impostos às empresas para que não temam o Brexit

A primeira-ministra britânica está à procura de apoio de várias empresas e pede para que confiem no Reino Unido, apesar do impasse em que o país se encontra.

A chefe do governo britânico, Theresa May, anunciou esta segunda-feira um plano para que o Reino Unido se torne “o país mais atrativo do mundo para se fazer negócios assim que sair da União Europeia”.

Durante a Confederação da Indústria Britânica (CBI em inglês), uma das principais organizações empresariais do país, a primeira-ministra pediu às empresas que continuem a confiar no país mesmo nas circunstâncias de incerteza em que se encontra atualmente.

Os investimentos das marcas Nissan, Jaguar Land Rover, GSK, SoftBank, Apple, Google e Facebook, divulgados nas últimas semanas, serviram como exemplo para May ilustrar a boa relação do Reino Unido com o setor empresarial.

Em declarações aos milhares de empresários que marcaram presença na CBI, a líder do governo explicou que, para continuar a atrair investimento, vai dar mais apoio público à área da investigação e reduzir os impostos às empresas. Segundo Theresa May, o seu governo vai investir cerca de dois mil milhões de libras por ano (2.340 milhões de euros) para apoiar projetos de I&D.

“Agora queremos ir mais longe, e ver como tornar o nosso apoio mais eficiente, porque o meu desejo não é apenas que o Reino Unido tenha o imposto empresarial mais baixo do G20, mas ter também um sistema fiscal que seja profundamente favorável à inovação”, sublinhou Theresa May, na cidade de Londres.

De acordo com o jornal “The Guardian” desta manhã, essa redução dos impostos pagos pelas empresas seria superior ao ponto de ir ao encontro dos cortes propostos nos EUA (de 35% para 15%). A agência “Reuters” noticiou entretanto que se tratava de “especulação”, nas palavras do porta-voz da primeira-ministra. Recorde-se que entre os cortes já anunciados pela primeira-ministra do Reino Unido está a redução do imposto similar ao português IRC para 17% até 2020.

O discurso da líder do executivo não teve apenas palavras de apoio aos gestores e investidores presentes. May aproveitou a ocasião para criticar alguns dos “excessos de uns quantos, que estragam a reputação de todos os negócios”.

Nesse sentido, a governante vai apresentar um plano para reformar o modelo de gestão corporativa no Reino Unido e evitar abusos: “Vamos lançar um processo consultiva para ouvir opiniões sobre as reformas do pagamento dos executivos, aumentar a sua responsabilidade com os acionistas e dar mais voz aos trabalhadores nos conselhos de administração das empresas”, disse.

Sobre este tema, o presidente da CBI, Paul Drechsler, realçou que o governo deve criar medidas para evitar o “precipício” do Brexit, remetendo o discurso para os efeitos que poderá ter, de um dia para o outro, as empresas deixarem de ter acesso ao mercado europeu quando ainda estiverem a concluir negociações.

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