Reino Unido: Truss promete romper com a “ortodoxia fiscal”

A candidata à sucessão de Boris Johnson como primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, prometeu romper com a “ortodoxia” fiscal e cortar impostos.

A candidata favorita à sucessão de Boris Johnson como primeira-ministra, Liz Truss, prometeu romper com a “ortodoxia” fiscal e aplicar cortes de impostos em vez de apoios direcionados para aliviar o impacto da crise de custo de vida.

O plano, batizado pela imprensa britânica de “Trussonomics”, consiste em inverter o aumento de 1,25% da taxa para a Segurança Social aplicado em abril, suspender a taxa ambiental nas contas de energia e cancelar o aumento planeado de 19% para 25% n imposto para as empresas.

Na semana passada, vários jornais noticiaram que também está a ser estudada a hipótese “nuclear” de reduzir a taxa de 20% do IVA em 5 pontos percentuais, para ajudar o país a resistir à crise económica e social que se anuncia.

O rival, o antigo ministro das Finanças Rishi Sunak, avisou que esta estratégia é “irresponsável” e vários outros economistas independentes concordam que é arriscada.

O anúncio do vencedor da corrida à sucessão de Boris Johson na liderança do Partido Conservador, e próximo primeiro-ministro, será feito na segunda-feira às 12:30.

A eleição, realizada por voto postal entre cerca de 180.000 militantes do partido, encerrou às 17:00 de sexta-feira.

O diretor do Instituto de Estudos Fiscais, Paul Johnson, admitiu que os cortes nos impostos possam ajudar os britânicos e até estimulem a economia, mas vão ter impacto nas receitas fiscais e consequentemente nas contas públicas.

“Sem mais dinheiro, a inflação galopante vai impor outra dose de austeridade nos nossos serviços públicos”, avisou, num artigo para o jornal The Times.

Desde a crise financeira global de 2007 que o Reino Unido adotou uma política de “responsabilidade orçamental” para manter a dívida pública em valores sustentáveis e numa trajetória decrescente, mas a despesa adicional com a pandemia covid-19 levou o ‘buraco’ orçamental a disparar.

A consultora Pantheon Macroeconomics previu que a combinação entre medidas de apoio adicionais, inflação crescente e uma recessão faça o endividamento público atingir os 170.000 milhões de libras este ano, em contraste com as previsões de 99.000 milhões de libras do Office for Budget Responsability (Gabinete de Responsabilidade Orçamental).

O governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, avisou no início de agosto para o risco de ‘estagflação’ no país, ou seja, uma recessão ou estagnação económica com inflação elevada.

A taxa de inflação já está nos 10,1% e o banco central antecipa que chegue aos 13% em outubro.

Mas Liz Truss acredita que este cenário “não é inevitável” e apelou a mais “ambição”, invocando o espírito reformador de Margaret Thatcher.

Sunak também evoca Thatcher e o antigo ministro das Finanças Nigel Lawson para criticar o recurso ao endividamento como uma política que “não é Conservadora” e defende que a prioridade deve ser controlar a inflação.

A imprensa britânica tem avançado o atual ministro da Economia, Kwasi Kwarteng, como o mais provável escolhido para a pasta das Finanças, enquanto o deputado John Redwood, conselheiro de Thatcher, poderá também voltar ao governo.

Os detalhes deverão ser conhecidos na próxima semana e num orçamento extraordinário está previsto para 21 de setembro.

Na terça-feira, o primeiro-ministro, Boris Johnson, deverá apresentar a demissão à rainha Isabel II, o que acontecerá pela primeira vez em 70 anos de reinado no castelo de Balmoral, no norte da Escócia, em vez do Palácio de Buckingham em Londres.

A monarca de 96 anos tem vindo a piorar dos problemas de mobilidade que a levantaram a faltar a vários eventos este ano e a delegar a representação aos herdeiros, em especial o filho primogénito, príncipe Carlos.

O sucessor de Johnson, e 15.º chefe de Governo no reinado de Isabel II, será também recebido na Escócia na terça-feira pela monarca, que deverá então indigitar o novo primeiro-ministro (ou primeira-ministra) para que forme um novo governo enquanto líder do partido com maioria parlamentar.

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