Reino Unido vai transferir embaixada em Israel para Jerusalém

Donald Trump provocou controvérsia internacional e protestos maciços quando fez o mesmo em 2018, tendo gerado uma reação adversa até no Vaticano. Na altura, a União Europeia este contra. E a na altura primeira-ministra britânica, Teresa May, também.

Toby Melville/Reuters

A primeira-ministra britânica, Liz Truss, encontrou-se com o seu homólogo israelita, Yair Lapid, em Nova Iorque, durante a 77ª Assembleia-Geral da ONU, a quem confidenciou que está a considerar transferir a embaixada do Reino Unido em Israel para Jerusalém, revelou uma porta-voz de Downing Street.

Truss já tinha proposto a mudança durante a campanha interna do Partido Conservador que a levou até à chefia do executivo britânico – o que terá levado um grupo chamado ‘Amigos Conservadores de Israel’ a optar por a apoiar.

A embaixada britânica em Israel está atualmente localizada em Tel Aviv, a cidade que é internacionalmente (desde logo pela ONU) reconhecida como a capital de Israel – ficando Jerusalém como uma espécie de reserva estratégica para funcionar como a futura capital bipartida de uma futura nação palestiniana.

Praticamente todos os países exceto os Estados Unidos consideram Tel Aviv a capital de Israel. O ex-presidente Donald Trump decidiu transferir a embaixada norte-americana para Jerusalém em 2018, criando uma onda de protestos internacionais que chegou mesmo ao Papa Francisco – que teve oportunidade de criticar a medida. Em 2018, protestos contra a medida de Trump resultaram na morte de dezenas de palestinos.

Mais tarde, Trump voltaria a criar forte polémica quando decidiu aceitar – novamente contra a ONU – que o Sahara Ocidental é parte integrante de Marrocos. E mais uma vez Israel estava ‘metida ao barulho’: a decisão da Casa Branca deu-se como contrapartida a Marrocos aceitar assinar um acordo diplomático com o Estado hebraico no âmbito dos chamados Acordos de Abraão. Na altura da decisão de Trump sobre Jerusalém, a então primeira-ministra britânica, a também conservadora Theresa May, criticou a medida.

Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga (Itália), prometeu reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada de Tel Aviv para lá se a sua coligação vencer as eleições em 25 de setembro – o que acontecerá quase de certeza.

Curiosamente, talvez em 2019, um concurso televisivo do canal público italiano foi alvo de fortes críticas quando, perante a pergunta sobre qual era o nome da capital israelita, a resposta considerada certa era Jerusalém. Os responsáveis do programa acabaram mesmo por serem levados a tribunal por uma ONG e obrigados a retratarem-se.

Honduras e Guatemala seguiram o exemplo dos Estados Unidos ao transferirem as suas embaixadas para Jerusalém, e o Kosovo abriu a sua embaixada na cidade israelo-palestiniana em 2021 – facto que com certeza não agradou à União Europeia, que foi uma das entidades a manifestar-se contra a decisão de Donald Trump.

Recomendadas

Eleições do Brasil: Primeiros números oficiais dão liderança a Bolsonaro sem maioria absoluta

Às 21h30, pouco mais de 1% dos votos válidos estavam contados. Em Lisboa, as urnas fecharam pelas 20:00, após o encerramento ser prolongado devido à forte afluência.

Enviado da ONU quer garantir “boa tradição de democracia e diálogo” nas eleições de São Tomé

“Vim para recolher informações, porque, como sabem, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, segue com bastante atenção a evolução da situação política deste país e emitiu um comunicado em que felicitou o povo são-tomense pela sua maturidade política”, disse Abdou Abarry, o novo representante especial para da ONU para a África Central.

PremiumPutin une extremos na oposição ao Ocidente

As franjas mais extremas europeias convergem no apoio a Putin, unidas por um antiamericanismo reforçado, à esquerda, por uma orfandade do comunismo soviético e, à direita, pela admiração por um regime iliberal e autocrático.
Comentários