Rendas das casas vão aumentar 5,43% no próximo ano

O INE revelou esta quarta-feira os números da inflação que determinam a variação das rendas. Assim, no próximo ano, os senhorios poderão avançar com aumentos de 5,43%.

Margarida Grossinho

No próximo ano, os senhorios vão poder aumentar as rendas das casas em 5,43%. Depois do congelamento verificado em 2021 e da subida de 0,43% registada este ano, as rendas vão disparar em 2023, à boleia da inflação, cujos números foram divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com a legislação em vigor, o coeficiente de atualização anual das rendas dos diversos tipos de arrendamento é igual à variação dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC), sem habitação, disponível a 31 de agosto.

Esse número foi divulgado esta quarta-feira pelo INE, confirmando-se o que já está previsto: as rendas vão crescer significativamente em 2023. Em maior detalhe, e segundo a nota publicada pelo gabinete de estatísticas, a referida variação dos preços fixou-se em 5,43% nos 12 meses terminados em agosto, pelo que os senhorios, querendo, poderão fazer subir as rendas nessa mesma medida no próximo ano.

De notar que o valor definitivo da inflação só será conhecido em meados de setembro, isto é, a nota publicada esta manhã resulta de uma estimativa rápida, mas o valor preliminar, saliente-se, costuma ser igual ao final.

Depois, caberá ao Governo publicar em Diário da República, até 30 de outubro, o coeficiente que servirá de orientação para os senhorios.

Este aumento de mais de 5% das rendas é um notícia negativa para milhares de famílias portuguesas, que arrendam a casa, já que a escalada dos preços, que o conflito em curso na Ucrânia veio agravar, tem pressionado os orçamentos. Da alimentação aos combustíveis, a subida dos preços tem sido generalizada.

Perante este cenário, as famílias mais vulneráveis já beneficiaram de um apoio, mas a persistência da inflação levou o Governo a anunciar que em setembro lançará novas medidas para ajudar os portugueses a enfrentarem a atual conjuntura.

Quanto às rendas, as associações dos inquilinos já pediram ao Governo uma mudança da lei para travar subidas tão acentuadas. No Parlamento, os partidos também já sinalizaram que vão tentar viabilizar legislação que mitigue os aumentos em questão, tendo o PS, que detém hoje a maioria absoluta, descartado, contudo, um travão geral a essas atualizações.

(Notícia atualizada às 10h24)

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