Rendimento de Inserção deve estar associado à requalificação, diz Bispo de Setúbal

No entender de José Ornelas, é tudo decidido em função do Terreiro do Paço fazendo de Setúbal uma península para servir Lisboa, um modelo centralizador que diz não funcionar.

Foto: Agência ECCLESIA/PR

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e bispo de Setúbal defende que é necessário que o Rendimento Social de Inserção seja cada vez mais associado à requalificação das pessoas.

“O rendimento de inserção deve ser para casos graves ou temporários para levar as pessoas à autossuficiência, porque se não vamos criar uma grande comunidade de subsidiodependentes”, disse José Ornelas em entrevista à agência Lusa, quando passa um ano desde a sua nomeação para presidente da CEP.

José Ornelas considera que as pessoas devem ser autoras e protagonistas do seu próprio desenvolvimento.

Um Estado social, defende, não deve deixar ninguém para trás em aspeto algum, seja no que é preciso para se viver seja para um contributo a dar à sociedade para construir um mundo melhor

Questionado sobre a situação da diocese que dirige, José Ornelas foi bastante critico quanto à distribuição da riqueza na região de Setúbal, considerando que a península está a ser vítima de uma distinção negativa grave ao ser incluída na Nuts de Lisboa e Vale do Tejo (sistema de avaliação de riqueza do país).

“É a tal história de ter dois frangos para dividir por duas margens, um come três quartos do frango e o outro come o resto”, disse.

“São milhares de milhões de euros que a península de Setúbal está a perder”, frisou, adiantando que as empresas estão a ir para o Alentejo onde podem obter 80% de ajudas ou até mesmo a fundo perdido enquanto em Setúbal os subsídios vão até um máximo de 40 por cento.

Setúbal, prosseguiu, que já esteve a um bom nível, voltou agora a descer para um dos piores PIB do país.

“Isto é culpa de uma desorganização ao nível do país que é possível reconverter, mas leva anos e é preciso que lá cheguemos vivos. O que esta acontecer é injusto”, insistiu.

No entender de José Ornelas, é tudo decidido em função do Terreiro do Paço fazendo de Setúbal uma península para servir Lisboa, um modelo centralizador que diz não funcionar.

“Isto não pode ser”, disse, alertando para a necessidade de serem seguidos o que considera serem bons exemplos, como é o caso da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, que apostou na sua instalação na margem sul do Tejo.

José Ornelas está a frente da diocese sadina desde 2015, ano em que foi ordenado bispo, depois de ter sido responsável mundial pela Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos).

Recomendadas

Plataforma NAU vence Prémio ISCTE Políticas Públicas 2022

Segundo Francisco Santos, Vice-Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que disponibiliza a plataforma, o objetivo passa por “fazer crescer a oferta e continuar a ser uma mais-valia para entidades parceiras e, acima de tudo, para os cidadãos”.

Imigrantes do Bangladesh denunciam extorsão para obter vistos para Portugal

Um dos problemas para os bengalis está no facto de não existir representação diplomática portuguesa no seu país, o que os força a terem que recorrer à vizinha Índia. Entre Daca, capital do Bangladesh, e Nova Deli, capital da Índia, distam mais de 1.800 quilómetros.

Metro do Porto diz a Moreira que já formalizou “aceleração da empreitada” da Linha Rosa

Em 10 de novembro, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira manifestou-se preocupado com o “impacto profundamente negativo” da construção da nova Linha Rosa da Metro do Porto que, defende, apresenta “excessivos atrasos” em “praticamente todas as frentes”, revela um ofício enviado à empresa.
Comentários