Renovar as missões das Instituições de Ensino Superior

Se olharmos para a última década, são evidentes as dinâmicas de abertura das nossas IES à sociedade e de ligação com o mercado e as empresas. Apesar disso, há ainda muito a fazer na ligação da Ciência às empresas.

Nas últimas décadas temos assistido ao alargar das missões das Instituições de Ensino Superior (IES). Atualmente as IES investigam, ensinam, promovem o empreendedorismo e valorizam o conhecimento, em articulação com a sociedade, incluindo com as empresas. É assim um pouco por todo o mundo, umas vezes por necessidade de chegar a novos públicos, outras por razões de posicionamento estratégico e diversificação das fontes de financiamento.

Em Portugal, as nossas IES têm vindo a ser reconhecidas internacionalmente ao nível da sua capacidade científica, de formação e requalificação da população, mas também ao nível da promoção da inovação e do empreendedorismo, em especial de base tecnológica – por exemplo, atualmente temos quatro Universidades no Ranking do “Financial Times”, em Economia e Gestão, bem como alguns “unicórnios” com origem em alunos da nossa academia.

A internacionalização das nossas IES é outro fator de mudança dos últimos 20 anos, para o qual tem contribuído o crescente envolvimento em projetos e consórcios internacionais de I&D e inovação (ex.: Programas-Quadro; Parcerias Internacionais em C&T), bem como as estratégias de atração de estudantes de várias partes do mundo, que escolhem Portugal para fazerem as suas formações, incluindo Doutoramentos. De salientar que muitos escolhem depois Portugal para viver e trabalhar, tornando-se alguns deles empreendedores e criando aqui as suas startups. Ou seja, além das “missões” tradicionais, as IES são cada vez mais uma montra internacional das capacidades do país em termos de I&D, importante para atrair talento e investimento qualificado à escala global por parte de empresas.

Se olharmos para a última década, têm sido evidentes as dinâmicas de abertura das nossas IES à sociedade e de ligação com o mercado e com as empresas, quer de forma direta quer indireta, ajudando-as a encontrar soluções para os seus problemas. E isso tem sido feito através da densificação e da diversificação de estruturas de ligação e de intermediação entre a academia e o mercado, que ocorreu nos últimos 20 anos.

Portugal tem hoje uma rede de mais de 200 infraestruturas tecnológicas e de interface, algumas delas nascidas a partir das IES, outras mais próximas da indústria, e que cobrem todo o território nacional, de onde se destacam: 31 Centros de Tecnologia e Interface, 41 Laboratórios Colaborativos, 40 Laboratórios Associados, 7 Laboratórios do Estado, 150 espaços de incubação e aceleração, 30 parques de Ciência e Tecnologia, 18 Clusters, 35 gabinetes de transferência de tecnologia de base académica.

Estas infraestruturas têm um papel importante ao nível da valorização do conhecimento e da transferência tecnológica, nomeadamente ao nível do registo de propriedade intelectual: em 2020, havia seis IES (ou entidades ligadas às IES) nas dez entidades portuguesas que mais registam patentes em Portugal e cinco IES nas dez entidades com mais pedidos de patentes no Instituto Europeu de Patentes, em 2021.

Apesar deste panorama promissor, há ainda muito a fazer na ligação da Ciência às empresas, sendo necessário aprofundar a articulação entre as políticas públicas e os restantes atores do sistema de inovação, onde as IE desempenham um papel fundamental.

Recomendadas

A voz da metamorfose

Arquitetos e urbanistas são chamados a desenhar soluções criativas integradas em estratégias maiores, onde é dada voz a uma consciência social e política que tem especial atenção a contextos sociais diversificados.

Uma emergência climática

Portugal não é um país frio, comparando com o resto da Europa, mas é um país pobre, mal gerido e de prioridades trocadas.

Portugal perde com a Roménia e falha ‘final four’

As grandes transformações económicas e sociais de que o país precisa para corrigir a trajetória da divergência em relação à Europa não dependem da quantidade de dinheiros comunitários. Depende da conceção estratégica que se quer para Portugal.
Comentários