Renováveis cada vez mais competitivas face aos combustíveis fósseis

Na COP27, em novembro, no Egito, nenhum país terá razões para deixar de ser ambicioso do ponto de vista energético, já que esta é a opção económica, ambiental e geopolítica mais vantajosa.

O mais recente relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), publicado em julho, vem demonstrar que, globalmente, os custos nivelados de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis continuam a descer. Em 2021 os custos da energia eólica onshore baixaram 15%, os da eólica offshore 13% e os da solar fotovoltaica caíram 13% em relação a 2020.

Face aos elevados preços dos combustíveis fósseis, a IRENA estima que a capacidade renovável instalada em 2021 represente uma poupança global de 55 mil milhões de dólares em 2022.

Para a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, o relatório da IRENA vem confirmar o papel crucial que as renováveis desempenham na luta contra as emergências energética e climática. As renováveis estão cada vez mais competitivas, mesmo em plena crise dos preços dos combustíveis fósseis, e dão, assim, o seu contributo para o cumprimento das metas do acordo de Paris com vista a limitar o aquecimento global.

O solar e a eólica, com prazos de projeto relativamente curtos, apresentam-se como vitais nos esforços dos países para descarbonizar a toda a velocidade. Está mais do que provado que as renováveis libertam as economias da volatilidade de preço, diminuem a necessidade de importações de combustíveis fósseis e reduzem custos.

Mesmo em países que não integram a OCDE a instalação de capacidade renovável já custa menos do que a opção mais barata de combustível fóssil. Na COP27, em novembro, no Egito, nenhum país terá razões para deixar de ser ambicioso do ponto de vista energético, já que esta é a opção económica, ambiental e geopolítica mais vantajosa.

Os elevados e descontrolados preços do carvão e do gás, registados em 2021 e 2022, tornaram a energia solar e a energia eólica mais atraentes por serem mais baratas que as opções fósseis e por terem uma previsibilidade, a mais de 20 anos, dos seus custos nivelados de produção. O exemplo europeu mostra que os custos de combustível e CO2 para centrais de gás podem ser, em média, quatro a seis vezes mais elevados em 2022 do que o custo de uma nova central solar fotovoltaica ou eólica onshore instalada em 2021.

Há, no entanto, alguns desafios pela frente, nomeadamente aqueles que se prendem com o aumento das taxas de juros e do preço das matérias-primas, que certamente irão onerar alguns projetos. Nem todos os aumentos de custos estão já refletidos nos preços dos equipamentos e nos custos dos projetos, o que pode ser um obstáculo a uma maior velocidade na transição energética.

Se os custos dos materiais continuarem elevados, as pressões de preços em 2022 poderão mais pronunciadas, mas os aumentos serão proporcionalmente ofuscados pelos ganhos gerais das energias renováveis que se apresentam cada vez mais competitivas face aos atuais preços dos combustíveis fósseis.

A energia sustentável é o caminho, mas falamos de uma energia verde. Sem riscos nucleares. Sem emissões. Uma energia que se assuma efetivamente como uma arma de luta contra as alterações climáticas, que conduza à independência energética e minimize a volatilidade dos preços de forma a assegurar a verdadeira autonomia e segurança num quadro de transição energética.

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