Renováveis continuam a crescer

Portugal mantém o foco na trajetória que tem traçado rumo a uma incorporação crescente de renováveis no consumo de energia, sendo que existe um mar de possibilidades que se abrem para acelerar este caminho.

As renováveis continuam a crescer em todo o mundo e, em 2021, representaram 81% da nova capacidade instalada a nível global, segundo dados divulgados este mês de abril pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA – International Renewable Energy Agency).

No final de 2021 a capacidade global de produção de eletricidade a partir de fonte renovável atingiu, assim, os 3.064 Gigawatt (GW), o que representa um aumento de 9,1% face ao ano anterior.

Em 2010 a capacidade renovável instalada não ia além dos 38% a nível global, o que é ilustrativo da grande evolução registada na última década.

A energia hidroelétrica continua a deter a maior capacidade instalada em todo o mundo, com 1.230 GW, mas as estatísticas da IRENA (Renewable Capacity Statistics 2022) revelam que a energia solar e eólica estão a conquistar cada vez mais espaço.

As duas tecnologias representaram, em conjunto, 88% da nova capacidade renovável instalada em 2021. O solar liderou com um aumento de 19%, seguido da eólica, que aumentou a sua capacidade de geração em 13%. A energia solar, em termos de capacidade instalada (GW), já supera hoje a eólica ao nível global.

Este crescimento progressivo e sustentável das energias renováveis em todo o mundo é a prova da resiliência das tecnologias verdes, que oferecem às populações cada vez maiores benefícios sociais, económicos e ambientais.

A tendência global é muito positiva, mas os números revelam que, ainda assim, a mudança não está a ser rápida o suficiente para evitar as piores consequências em termos climáticos, como alertam os cientistas.

Para ajudar a travar as alterações climáticas é urgente que a energia verde cresça a um ritmo muito mais rápido. Muitos países já aumentaram significativamente a incorporação de renováveis na geração de eletricidade, mas ainda estão longe de atingir níveis satisfatórios que permitam responder aos múltiplos desafios ambientais e sociais.

É na Ásia que está localizada 60% desta nova capacidade renovável instalada, perfazendo, em 2021, uma capacidade total instalada de 1.460 GW . A China foi o país que mais contribuiu para estes resultados, adicionando, em 2021, 121 GW de nova capacidade ao continente.

Europa e América do Norte surgem em segundo e terceiro lugares com 39 GW e 38 GW, respetivamente. A capacidade de energia renovável cresceu 3,9% na África e 3,3% na América Central e Caribe.

O crescimento mais lento em algumas regiões do mundo indicia a urgência de implementação de uma cooperação internacional mais musculada e organizada, para otimizar os mercados de eletricidade e impulsionar investimentos maciços nessas regiões.

Portugal mantém o foco na trajetória que tem traçado rumo a uma incorporação crescente de renováveis no consumo de energia. Esta semana já foi publicado, em Diário da República, o Decreto-Lei que aprova medidas excecionais que visam assegurar a simplificação dos procedimentos de produção de eletricidade e hidrogénio a partir de fontes renováveis.

Esta medida insere-se no âmbito de uma estratégia concertada a nível europeu para alcançar a segurança de abastecimento e a independência energética  de modo sustentável e a preços economicamente mais comportáveis para cidadãos e empresas.

Há um mar de possibilidades que se abrem para acelerar este caminho. A coexistência entre múltiplas tecnologias será vital para estruturar um mix energético diferenciado que possa assegurar um desenvolvimento socioeconómico sustentado e coeso.

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