Renting é resiliente e tem forte capacidade de adaptação

O período pandémico foi crítico para as empresas de renting mas, na generalidade das empresas, os contratos novos superaram os contratos vencidos. O sector demonstrou elevada resiliência.

O renting mostrou conseguir adaptar-se às necessidades dos empresários. Mas quer o renting de equipamentos, quer o renting automóvel estão condicionados por fatores externos e cujo desfecho é difícil antecipar. No ramo automóvel é conhecida a crise dos chips, algo que decorre da concentração do seu fabrico em países do Extremo Oriente e na China e onde o problema do Covid se faz sentir com acuidade. A acrescer à redução da produção temos o transporte e a logística é impactante em todas estas indústrias que dependem destas importações. O aumento dos custos generalizados na logística está ligado ao crescimento dos preços das commodities, nomeadamente dos combustíveis. Há ainda outros fatores que criam constrangimentos e aumento de preço e com reflexo direto nos contratos de renting como seja o aumento da sinistralidade, as alterações climáticas, os custos com o cyber crime e ainda o risco de subida dos juros motivado por uma perspetiva inflacionista que tem tendência para se manter.

Ainda assim os gestores do setor do renting estão numa expetativa positiva perante a impossibilidade de renovação de muitos contratos e que originarão contratos novos, ou ainda pela recuperação acelerada de alguns setores de atividade. A nova crise pandémica que se avizinha tem, no entanto, repercussões graves ao nível da atividade do turismo e do transporte aéreo, setores que contribuem para o crescimento do renting. Refere Tiago Ferreira da RCI Bank and Services, entidade que agrupa os interesses da Renault, Nissan, Dácia e Alpine, que em 2021 “a frota ativa em renting cresceu 1% face ao ano homólogo, o que significa que existiram mais contratos novos do que contratos que terminaram. De salientar que, durante o período pandémico, o produto do renting revelou elevada resiliência e capacidade de adaptação ao contexto desfavorável, tendo muitos clientes cujos contratos iriam cessar naquele período optado por prolongá-los por mais um ou dois anos em alternativa à sua simples cessação ou à celebração por período mais alargado”. E sobre a crise dos chips para os automóveis refere que “a RCI Bank and Services, tal como todas as financeiras, não é imune à atual crise mundial de escassez de chips. Contudo, e como cativa de marcas com maior stock disponível do que a média das marcas em Portugal, apostou no lançamento de produtos fidelizantes com curtas durações para aumentar a rotatividade do parque automóvel e com todos os serviços incluídos, para que, nesta fase, haja uma maior tranquilidade na utilização da viatura por parte dos nossos clientes”. A ALD Automotive, através do diretor comercial Nuno Jacinto, sublinha a resiliência da atividade “principalmente em épocas de crise”. E acrescenta que a evolução do setor deu-se pela resposta eficaz à procura por soluções e que passou pela mobilidade de rápida aplicabilidade, com o crescimento exponencial do renting de usados; ainda pelas soluções digitais que proporcionem a necessária autonomia e conectividade entre o utilizador e a gestora, e acima de tudo, por soluções customizadas, no sentido de assegurar a flexibilidade necessária a esta nova realidade. Adianta Nuno Jacinto que “todo este novo contexto trouxe-nos novos desafios que vieram para ficar o que sem dúvida é muito estimulante para o futuro”. Sobe a crise dos chips refere que ela “veio criar dificuldades reais, que se fizerem sentir essencialmente no panorama das encomendas e entregas. A falta de stocks, prazos de entrega alargados e a grande instabilidade nas datas de entrega foram as dinâmicas mais afetadas e com poucas soluções por parte dos construtores”. Frisa que da parte da empresa “procurámos mitigar estas questões, garantindo a mobilidade e a disponibilidade de serviço aos nossos clientes, propondo a antecipação dos processos de negociação e decisão, minimizando o impacto do contexto vivido; a abertura e flexibilidade na construção/atualização das políticas de viaturas, processo para o qual estamos capacitados para contribuir; e uma gestão muito ativa quer dos contratos atuais (nomeadamente com prolongamentos), quer de novos produtos como é o caso do ALD Flex e do ALD 2Life”.

Por seu lado, a Mercedes-Benz Van frisou que a evolução de crescimento foi mantido e estabilizou na ordem dos 10%, sendo que neste equipamento totalmente vocacionado para empresas o aspeto mais relevante é o facto de existirem setores de atividade “que se destacam na adoção da mobilidade elétrica, como é o caso das entregas e distribuição nas cidades, e do transporte profissional de pessoas”. Adianta Mário Neves, da Mercedes Vans que “as empresas demonstram um interesse na eletrificação das suas frotas, revelando preocupação em desenvolver as suas atividades de forma consciente com o futuro sustentável do nosso planeta, embora ainda não tenha sido atingido o potencial de mercado que se perspetiva alcançar nesta tipologia de veículos onde prevalece a motorização diesel”. Na mesma linha está Nuno Jacinto da ALD Automotive, que afirma que “a sustentabilidade aliada à mobilidade é uma temática cada vez mais acompanhada por todos, mas a passagem para as motorizações elétricas nem sempre acompanha esta tendência com a mesma rapidez. Esta deve ser feita de forma equilibrada. As novas tecnologias e respetiva transição têm a sua curva de aprendizagem. É necessário tempo, assim como suporte, e a assunção do risco por parte das gestoras é um contributo muito importante para uma transição mais célere no mercado corporate. Devemos entender as situações em que as novas tecnologias trarão eficiência real ao nível das frotas”. Acrescenta que “neste cenário, o panorama atual corresponde ao expetável. O diesel ocupa ainda uma grande fatia das frotas portuguesas, mas o crescimento das motorizações eletrificadas tem ganho cada vez maior preponderância no mercado nacional, acompanhando o processo evolutivo conforme esperado. Frisamos que os veículos elétricos não devem ser considerados como forma única de mobilidade, o chamado “One size fits all”. O veículo elétrico é a resposta certa para utilizações específicas, assim como os veículos PHEV, híbridos, gasolina ou mesmo a gasóleo e todos eles encaixam num determinado perfil. Numa implementação de frota bem-sucedida, os clientes devem ter em conta fatores como o perfil de utilização e aptidão e garantir que terão acesso às infraestruturas de carregamento adequadas. Também aqui temos um papel fundamental no acompanhamento, suporte e aconselhamento às empresas, direcionando-as para as melhores soluções existentes no mercado, tendo em conta a aplicação destes fatores e que se tornam essenciais para uma transição energética de sucesso”.
A RCI, através de Tiago Freire, sublinha o importante pormenor e que é o facto de os clientes empresas já terem começado a aderir “a motores elétricos/ híbridos/alternativos (no último ano o mix passou de 20% para 32%), mas o diesel ainda continua a dominar com cerca de 53% (apesar de ter caído no último ano pois representava anteriormente cerca de 64% das vendas de empresas) seguido por viaturas a gasolina com cerca de 15% de peso nas frotas. É cada vez mais notório a tendência para as empresas se focarem nos veículos elétricos, seja pelos claros benefícios fiscais existentes, seja pela sensibilidade ao cada vez mais importante cálculo do TCO (total cost of ownership)”.

Tendências
Os particulares têm acelerado a opção pelo renting, sobretudo por jovens que optam por uma renda fixa e evitam surpresas. Refere Tiago Ferreira, da RCI, que “o perfil do cliente particular tem evoluído com as mudanças geracionais. De um lado, as gerações mais novas têm revelado crescente interesse pela mobilidade em alternativa à propriedade ou posse da viatura. Neste sentido, é com satisfação que temos assistido à procura mais acelerada por parte dos jovens de uma renda fixa que lhes evita quaisquer surpresas e lhes permite usufruir de todos os serviços com toda a comodidade. Por outro lado, e no extremo oposto da pirâmide etária, temos assistido a um fenómeno interessante e curioso de interesse por parte de reformados no produto do renting, o qual substitui o aluguer operacional a que acabaram por se habituar nas empresas onde trabalharam anteriormente”. Acrescenta que “o renting permite a esta geração mais velha a particularidade de poder mudar de viatura em poucos anos, ao mesmo tempo que mantêm o mesmo tipo de viatura até ao final das suas vidas. No final do ano de 2019, foi lançado o renting para particulares nas marcas Renault e Dacia. No final do corrente ano de 2021, a Nissan (através da sua estratégia de comunicação com a RCI) conseguiu que um em cada cinco dos seus clientes particulares optassem por um renting”. Na mesma linha está Nuno Jacinto da ALD Automotive quando afirma que “é já uma certeza o crescente interesse e procura pelo renting por parte dos particulares, algo facilmente comprovado pela evolução do número de leads, bem como de novos processos e clientes. E são vários os fatores que têm contribuído para esta evolução, como a existência de um produto efetivamente ajustado às necessidades do cliente particular, uma comunicação cada vez mais universal e em diversas plataformas e que permite um maior conhecimento sobre o produto e ainda soluções como o renting de usados ALD 2Life que motivam grande interesse por este segmento de clientes”.

Descarbonização é a palavra de ordem
“A Mercedes-Benz é pioneira no mundo automóvel e tem disponível uma completa e sofisticada gama de comerciais ligeiros 100% elétricos: o eVito Furgão e o eSprinter, aptos para o transporte de mercadorias, e o EQV e eVito Tourer, vocacionados para o transporte de 8 ou 9 ocupantes respetivamente e já em 2022 irá lançar o novo eCitan”, refere o gestor Mário Neves. Adianta que o foco está na oferta de veículos 100% elétricos “ajustados às necessidades dos clientes, sem compromissos ao nível de equipamentos, com ofertas de rendas atrativas e soluções sem preocupações com a inclusão de contrato de serviço de série e garantia prolongada da bateria de alta-tensão. O novo Citan que lançamos no mês passado e que já foi eleito o Veículo Comercial Ligeiro Internacional do Ano 2022, é o último projeto de um veículo novo, para clientes profissionais da Mercedes-Benz Vans, a disponibilizar a opção de motor de combustão. Todos os nossos futuros novos desenvolvimentos estarão disponíveis exclusivamente com motorizações elétricas”.

Diz Tiago Ferreira que “neste capítulo, os nossos objetivos estão intrinsecamente ligados aos das nossas marcas: Renault, Dacia, Nissan e Alpine, as quais, juntas, são já líderes da mobilidade elétrica. Em traços gerais, estas quatro marcas irão lançar até ao final de 2025 cerca de 24 novos modelos, dos quais 10 serão 100% elétricos (com especial enfoque nos segmentos C e D). Para além disso, perspetiva-se a aposta na tecnologia do hidrogénio, na qual a alimentação a pilha de combustível será certamente um segmento promissor”. Na ALD Automotive Portugal o ambiente foi assumido como um elemento estratégico da gestão. “Comprometemo-nos a desenvolver o nosso negócio de forma responsável, promovendo a melhoria do desempenho ambiental da atividade de renting e gestão de frotas”, diz Nuno Jacinto. Acrescenta que “o setor da mobilidade tem um forte impacto e, como tal, uma responsabilidade acrescida no que respeita às alterações climáticas, razão pela qual colocamos grande foco no desenvolvimento de soluções de mobilidade sustentável. Ao nível da descarbonização interna, temos em prática programas que nos permitem diminuir a pegada de CO2 ligada à mobilidade interna e já previamente assumidos por exemplo aquando da assinatura do Pacto de Mobilidade Empresarial de Lisboa e que garante o aumento de veículos verdes na nossa frota interna, o desenvolvimento de salas com sistemas inovadores de videoconferência, permitindo que reuniões que requerem maiores deslocações passem a ser realizadas neste formato, o aumento do número de carregadores elétricos no nosso parque, etc.. Ao nível da descarbonização da frota para clientes, existe um ciclo de desenvolvimento a este nível, que começa pela consultoria inicial, através de ferramentas internas de TCO que permitem desenhar a combinação/solução ideal em termos de motorizações e conjugação dos diferentes serviços de mobilidade, nomeadamente a inclusão de soluções sustentáveis e diferenciadoras como é o caso do ALD e-switch, exclusivo para contratos de veículos 100% elétricos. Para muito breve, temos o objetivo final de disponibilizar uma oferta elétrica global e abrangente, que permitirá ao Cliente usufruir de todos os serviços necessários à mobilidade elétrica, incluídos no contrato celebrado com a ALD Automotive.”

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