(Re)pensar o desenho e operação dos hospitais no pós Covid-19

A pandemia veio tornar claro que a conceção e construção de infraestruturas hospitalares são ferramentas ao serviço do sistema de saúde, essenciais para a garantia do direito à saúde.

Há pouco mais de um ano, enquanto vivíamos as nossas vidas normalmente, não imaginávamos que as notícias que começavam a chegar do Extremo Oriente iriam mudar as nossas vidas de forma tão rápida, drástica e profunda. E, no entanto, em poucos meses, a nossa vida levou uma volta de 180º. Assistimos a medidas de confinamento, distanciamento social, medo e combate.

Na linha da frente desse combate estão os profissionais de saúde. E os “cenários” desta guerra são os hospitais. É aqui que se vive o impacto da Covid-19, como em mais nenhum lado algum. E os hospitais tiveram que se adaptar, tiveram que se reinventar para dar resposta às permanentes solicitações. A pandemia atingiu o mundo de forma dura e deu-nos lições que não devemos esquecer.

A enorme capacidade de transmissão que o vírus SARS-Cov2 mostrou ter, não só colocou em causa os cuidados médicos e hospitalares, mas também destacou algumas fragilidades existentes nos procedimentos de controlo da infeção.

Assim, uma das lições que temos que retirar deste período é que a forma de pensar o desenho e a operação dos hospitais terá que mudar. No nosso caso, os objetivos são claros e, reunindo a opinião de vários especialistas, o Grupo Sacyr preparou dois documentos: o “Arquitetura pós-covid-19” e o “Estratégias de gestão hospitalar integrada contra epidemias”, que analisam o desenho e a operação dos hospitais a partir da nossa experiência durante a pandemia e propõem soluções concretas.

De forma muito resumida, os peritos auscultados para a elaboração dos dois documentos aconselham que em futuras construções, ou na reformulação de instalações atuais, será necessário otimizar os tempos de deslocações, permitir a existência de áreas independentes para tratar suspeitas de infeções, que as instalações deverão ter tetos mais altos e uma boa ventilação.

Assim, os acessos dos futuros hospitais deverão ser amplos e flexíveis, para se adaptarem a situações de emergência, de forma a poderem fazer as triagens e atender adequadamente os pacientes que precisam de atendimento. Por outro lado, para os novos edifícios que ainda se encontram em fase de projeto, é importante incluir as novas estratégias de circulação no interior do edifício, devendo ser analisado, se for caso disso, o aumento da largura dos corredores em relação ao utilizado até agora.

Também sabemos que durante a fase operacional do hospital, deve-se tentar reduzir ao mínimo o transporte de camas. Para isso, deve-se reduzir ao mínimo a movimentação e transporte de pacientes para fora do quarto ou enfermaria. Nesse sentido, recomenda-se o uso de equipamentos especiais portáteis.

Nas nossas observações foram identificados novos critérios de desenho para as áreas de saúde que nos permitem responder com rapidez e segurança novas situações de pandemias. Nesse sentido, os nossos peritos recomendam a implementação de medidas que permitam uma melhor contenção, utilizando por exemplo, a criação de mais zonas de pressão negativa em áreas reservadas.

A pandemia veio tornar claro que a conceção e construção de infraestruturas hospitalares são ferramentas ao serviço do sistema de saúde, essenciais para a garantia do direito à saúde. Como as vagas em hospitais são um recurso escasso, as suas opções de uso e capacidade de serem escaláveis devem ser usadas de forma eficaz em emergências. Por isso, sugerimos:

– A conceção de uma grande área para abrigar pacientes afetados por uma possível pandemia, sem que o restante do Hospital seja afetado na sua atividade. Esses espaços, não existindo cenários de emergência, poderão ser utilizados para outras finalidades, como área de reabilitação, hospital de dia, biblioteca, salas de reuniões, etc.

– A salvaguarda de construção de um centro dedicado exclusivamente ao atendimento de pacientes em caso de emergências na área de influência de um hospital geral de referência.

– A construção de hospitais com pré-instalações que permitam uma transformação rápida em caso de necessidade.

A flexibilidade da resposta hospitalar, permitindo rápidos acolhimentos e tratamentos de um grande número de pacientes, deve ser uma característica essencial do sistema global de instalações hospitalares para o futuro. Da parte do Grupo que represento, estamos prontos para ajudar o país nesse desafio.

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