República Srpska aumenta cooperação económica com a Rússia

Apesar das sanções, apesar da possível entrada na União Europeia, apesar da oposição dos restantes elementos da Bósnia-Herzegovina, a parte sérvia de federação está a aumentar o grau de exposição à Rússia.

Unilateralmente – em termos da Bósnia-Herzegovina – a República Srpska (parte de origem sérvia da federação) não desiste de fortalecer a cooperação económica com a Rússia, apesar das sanções impostas pelo Ocidente. A Bósnia-Herzegovina também aderiu às sanções, mas o lado sérvio continua a sua toada de crescente afastamento em relação à federação, o que, com a possível entrada na União Europeia, vai colocar novas dificuldades ao bloco dos 27.

Uma delegação do Banco de Investimento e Desenvolvimento da República Srpska está em visita à Rússia para negociar com empresários locais a melhoria da cooperação, nomeadamente através do aumento do fluxo de investimentos. Moscovo e Nizhny Novgorod foram os centros nevrálgicos escolhidos pelo banco dos Balcãs para manter reuniões com empresários e autoridades locais.

Segundo o site do Banco de Investimento e Desenvolvimento, as reuniões são uma introdução à “cooperação económica intensiva entre a República Srpska e a Rússia” – apesar de a missão da Bósnia-Herzegovina junto de Bruxelas ter votado a favor dos diversos pacotes de sanções introduzidos pela União Europeia. Mas a decisão sobre a aplicação das sanções não foi confirmada pelo Conselho de Ministros da Bósnia-Herzegovina, precisamente devido à oposição da República Srpska.

Segundo os sites que acompanham a política e a economia da federação, a delegação da República Srpska foi acompanhada pelo embaixador da Bósnia-Herzegovina em Moscovo, Zeljko Samardzija, que disse entretanto que a cooperação com empresários russos é “muito importante para a Repúblila Srpska”.

Uma cooperação facilitada pelo facto de, “especialmente tendo em mente que, graças aos representantes da República Srpska, a Bósnia-Herzegovina não impôs sanções à Rússia, disse Samaradzija, que se mostrou contrário à adesões às sanções. A posição diplomática na Rússia foi-lhe atribuída por sugestão do membro da Presidência da federação Milorad Dodik, líder da Aliança dos Social-Democratas Independentes, o principal partido político da República Srpska, que tudo tem feito em favor da independência do território.

Recorde-se que Dodik recusou-se a condenar o ataque da Rússia à Ucrânia, acreditando que a Bósnia-Herzegovina deve permanecer neutra e não aderir às sanções impostas à Rússia e chegou mesmo a encontrar-se com Vladimir Putin em São Petersburgo, em junho passado. Os outros dois membros da presidência, Sefik Dzaferovic e Zeljko Komsic (das partes croata e bósnia), condenaram “a agressão russa contra a integridade territorial e a soberania da Ucrânia” e apoiaram as sanções.

A NATO anunciou recentemente que ajudará a Bósnia-Herzegovina a “reforçar a resistência” e a desenvolver as capacidades de defesa da federação, com o objetivo de prevenir potenciais ameaças à estabilidade e segurança.

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