República Srpska: novo governo quer aproximação à Rússia e à China

Parte integrante da Bósnia-Herzegovina, a república sérvia-bósnia, novamente liderada por Milorad Dodik, continua a ter um comportamento desalinhado com o resto da federação.

O governo recém-eleito na República Srpska – o lado sérvio da federação da Bósnia-Herzegovina – disse, ao assumir novo mandato de quatro anos, que continuará uma estratégia de cooperar com a China e a Rússia e anunciou um fórum sérvio-russo na primavera do próximo ano, a ter lugar em Banja Luka.

A estratégia dos sérvios bósnios é diametralmente oposta à da Bósnia-Herzegovina, que continua empenhada em aderir à União Europeia e à NATO – e avoluma as tensões que, dizem os analistas, acabarão por fazer implodir a federação e tonar a República Srpska independente.

Milorad Dodik, reeleito presidente e um velho aliado de Putin na região, repetiu a sua oposição à entrada da Bósnia-Herzegovina na NATO. “A República Srpska é contra qualquer entrada na NATO embora coopere com ela”, disse Dodik, citado pelos jornais locais e após uma reunião em Belgrado com Aleksandar Vucic, presidente da Sérvia.

Em 9 de novembro passado, o Conselho de Ministros da Bósnia-Herzegovina (BiH) adotou por unanimidade as propostas do programa de reformas da federação que prevê a entrega em Bruxelas, na sede da NATO, do documento que institucionaliza o pedido de adesão.

O pró-forma estará longe de promover a entrada da federação na NATO, dizem os analistas, uma vez que a aliança não terá interesse em aceitar nas suas fileiras um país em que uma parte da população está contra e prefere a aproximação à Rússia.

Para os analistas, no interior da Bósnia-Herzegovina há um consenso sobre a integração europeia, mas não sobre a NATO. Desde 2006 que a Bósnia-Herzegovina é membro da NATO Partnership for Peace, o programa político-militar da aliança para países externos que pretendem aproximar-se da organização. A Rússia chegou a fazer parte.

Oficialmente, a Bósnia-Herzegovina está no Plano de Ação para adesão à NATO (MAP) como país único desde 2010 e em 2018 foi convidada a dar o passo seguinte: a apresentação da candidatura, que nunca chegou a cumprir, precisamente por oposição da República Srpska.

Relativamente à União Europeia, a Bósnia-Herzegovina tem desde outubro o estatuto de candidato, mas com regras específicas. Entre elas constam a adoção de leis sobre o quadro judiciário, o combate à corrupção e ao crime organizado, novas leis do trabalho e a garantias de cumprimento da liberdade de expressão e dos órgãos de comunicação. E, evidentemente, o alinhamento com a política externa da União Europeia.

A decisão final sobre o estatuto de candidato cabe aos dirigentes dos Estados-membros da União, que deverão debater a questão na cimeira de dezembro.

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