Reserva Federal volta a ‘dar a mão’ a Wall Street

Tal como sucedeu na semana passada, a Fed teve de insistir na diminuição do ritmo da subida das taxas de juro para alavancar um dia que acabou por ser positivo. O mercado está a precisar da atenção do banco central.

Wall Street encerrou esta quarta-feira em forte alta, depois de o presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, ter dito que o banco central pode reduzir o ritmo da suas subida das taxas de juros já em dezembro.

O S&P 500 recuperou de uma perda acentuada no dia anterior e o Nasdaq cresceu fortemente após a divulgação dos comentários de Powell, proferidos no think tank Brookings Institution, em Washington.

O Dow Jones segue a subir para os 34.431,11 pontos, mais 578,58 pontos ou mais 1,71%; o Nasdaq sobe para os 11.392,52 pontos, mais 408,74 pontos ou mais 3,72%; e o S&P 500cresce para os 4.060,82 pontos, mais 103.19 pontos ou 2,61%.

Mas Powell também alertou para que a luta contra a inflação está longe de terminar e que questões importantes permanecem sem resposta, incluindo até que ponto as altas taxas precisarão de subir e por quanto tempo.

Isto é, o mercado pode contar apenas com um alívio das subidas e não – para já – com qualquer diminuição das taxas de juro. O que é curioso é que a Reserva Federal disse precisamente o mesmo há cerca de uma semana atrás – com o mercado a responder positivamente. Mas os dias seguintes voltaram a ser negativos.

Para os cínicos, Powell terá de se lembrar de repetir o mesmo pelo menos todas as semanas, para o Wall Street não entre em colapso – pelo menos psicológico.

“O mercado esperou ansiosamente esclarecimentos em termos de duração e extensão do aperto da Fed. E qualquer coisa que dê esperança à ideia de que o banco central está a suavizar é visto como positivo para as ações, pelo menos numa base de curto prazo”, disse Chuck Carlson, da Horizon Investment Services, citado pela agência Reuters.

Neste jogo de bolsa, a consultora CME FedWatch Tool divulgou que os operadores de futuros acreditam em 75%  que a Fed aumentará as taxas de juros em 50 pontos-base na sua reunião de dezembro. A margem era de 65% antes dos comentários de Powell serem divulgados. A ferramenta FedWatch mostra agora hipóteses de 25% de um aumento de 75 pontos base.

Recomendadas

Chinesa Alibaba promete rival do ChatGPT e ações disparam

A promessa do ChatGPT motivou as gigantes tecnológicas a fazerem avultados investimentos nas tecnologias de Inteligência Artificial. A Google deu um tiro no pé com o Bard e viu as ações tombarem quase 10%. Agora, a Alibaba anuncia um produto rival.

Governador da Fed avisa que taxas de juro poderão continuar a subir

O governador da Reserva Federal norte-americana, Christopher Waller, disse esta quarta-feira que a inflação ainda não está contida e deu um sinal aos mercados: as taxa de juro vão continuar a subir, provavelmente acima das projeções dos analistas.

“Mercados em Ação”. “Governos como o português tomam medidas que perpetuam a inflação”

Henrique Tomé, analista do XTB, analisou no programa da plataforma multimédia JE TV, o efeito da implementação de pacotes de estímulos às famílias por parte de Governos como o português num contexto de subidas de taxas de juro por parte do BCE e dos outros bancos centrais.
Comentários