Responsabilidade nacional

É urgente executar uma reestruturação de políticas, ignorando diferenças ideológicas e partidárias, e retomar temas como a reforma do sistema eleitoral e a redução do peso do Estado na economia.

A Europa e o mundo vivem a ‘pior recessão da nossa história coletiva – analisada uma série longa de três anos’ –, fruto de uma guerra que já dura há meio ano e de uma pandemia de saúde pública que deixou marcas profundas e contaminou o nosso tecido empresarial. Os efeitos nefastos ao longo destes últimos dois anos dramáticos fazem-se sentir a um ritmo vertiginoso na economia e riqueza nacional, afetando muitos milhares de postos de trabalho e paralisando as nossas empresas.

Mas nem tudo foi mau para todos. Há sempre alguns que encontram oportunidades, com atividades ligadas à saúde, segurança, distribuição alimentar, energia e tecnologias, fruto das crises de saúde, energética e também da inflação, registando um crescimento exponencial nos seus volumes de negócio. Para uns, poucos, têm sido tempos de exceção!

Os inerentes riscos vividos tornam o nosso dia a dia num verdadeiro desafio, a exigir inovação e criatividade, nervos de aço e compreensão social para com todos, em especial os mais necessitados e afetados por estes desastres económicos. Os próximos desafios à escala mundial estarão, sem dúvida, na busca de soluções para combater a inflação, na consciencialização sobre a sustentabilidade do planeta e nas formas da organização do trabalho.

Na verdade, a crise global de há dois anos, do ponto de vista sanitário, provocou alterações profundas na nossa vida em sociedade. Quase nada tem sido igual, pois parece evidente que existe hoje uma maior consciencialização, no sentido de haver questões que interessam a toda a humanidade e que só poderão ser resolvidas com um efetivo reforço da cooperação internacional e das instituições multilaterais.

Os nossos empresários e empreendedores têm sido fundamentais neste esforço, uma vez que são eles que lutam diariamente pela sustentabilidade dos negócios e das empresas, pela manutenção dos postos de trabalho e pela criação de riqueza nacional num Portugal que não se conforma e que, apesar de tudo, não cede às dificuldades.

Compete, contudo, ao Governo e aos políticos irem mais além nas suas decisões, e fazer muito mais do que têm feito e que lhes cabe, a fim de combater a inflação, pôr o país a crescer e assegurar o emprego que nos garanta um futuro coletivo. Para isso, é urgente executar uma reestruturação de políticas, ignorando diferenças ideológicas e partidárias, e retomando temas como a reforma do sistema eleitoral, a reestruturação do funcionamento do Estado, a qualidade e tipologia da nossa despesa pública, a redução do peso do Estado na economia e o nível de burocracia que existe.

O trabalho constante que temos pela frente é gigante, árduo e exige precaução e sabedoria nos passos públicos, para que seja possível crescer sem inflação, proteger o emprego e o rendimento dos portugueses e evitar no futuro mais austeridade, na busca de uma economia de mercado competitiva, sustentável e socialmente inclusiva. Sem demagogias ou eleitoralismos, mas com grande sentido de responsabilidade, é tempo de abraçar a missão de salvar Portugal, sem pôr em causa o futuro e as próximas gerações.

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