Respostas Rápidas. Clubes e seleções em rota de colisão com a UEFA sobre cores LGBT

A polémica lei aprovada no parlamento húngaro sobre a difusão de conteúdo LGBT gerou polémica por toda a Europa, com especial foco no futebol. Em pleno campeonato da Europa, as federações acusam a UEFA de se aliar a causas “homofóbicas”.

A UEFA proibiu a seleção/federação alemã de colorir a Allianz Arena (estádio do FC Bayern) com um arco-íris, em referência à comunidade LGBT, por considerar que se trata de uma afirmação política, depois de o governo húngaro ter aprovado uma lei na semana passada anti-LGBT.

Em que consiste a lei aprovada pelo governo húngaro?

O parlamento húngaro aprovou uma lei que veta a “promoção” da homossexualidade para menores de 18 anos, incluindo a difusão de conteúdos sobre o tema nas escolas e em filmes. A nova lei é a mais recente de uma série de medidas implementadas sob o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán que supostamente visam combater a pedofilia e proteger as crianças.

A lei inclui emendas que proíbem a difusão de qualquer orientação sexual com exceção da heterossexual assim como informações sobre designação de género em programas de educação sexual nas escolas ou em filmes ou publicidade direcionados para menores de 18 anos.

Quais foram as primeiras reações na União Europeia?

“Estou muito preocupada com a nova lei na Hungria”, escreveu a presidente da Comissão Europeia na sua conta de Twitter. “Acredito numa Europa que acolhe a diversidade e não numa que a esconde das crianças”, acrescentou Ursula von der Leyen.

A comissária europeia para a Igualdade fez saber na terça-feira passada que este assunto poderia custar à Hungria restrições a financiamentos por parte da União Europeia, conforme declarou à Thomson Reuters Foundation. “A mensagem a passar é a que diz que se não se defendem os valores da democracia e da igualdade na União Europeia não se tem direito a receber dinheiro para o seu projeto”, disse Helena Dalli.

E do Governo português?

“A legislação que o Parlamento húngaro aprovou é contrária aos valores europeus e, portanto, esperamos que seja revertida o mais rapidamente possível. É essa a posição do Governo, julgo que será do Parlamento e demais órgãos de soberania. A posição da Hungria é indigna“, disse Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros.

Alguns partidos portugueses aproveitaram para criticar o facto de Portugal não ter assinado a carta sobre direitos LGBT, com a deputada do Bloco de Esquerda Fabíola Cardoso a dizer que esta era “uma triste maneira de terminar a Presidência Portuguesa [do Conselho da UE]” e que “não há neutralidade na defesa dos Direitos Humanos”. “Quando nos calamos não somos neutros. Quando os Direitos Humanos são atacados a neutralidade é um ataque”.

Porque é que a polémica envolveu a UEFA e a federação alemã?

Em resposta à lei aprovada pelo governo húngaro, a federação alemã de futebol decidiu colorir o estádio Allianz Arena em Munique, com as cores de um arco-íris que simbolizam a bandeira da comunidade LGBT. Uma vez que o encontro em questão opõe Alemanha e Hungria, a UEFA considerou tratar-se de uma “reposta política” e proibiu a federação alemã de iluminar o estádio com tais cores.

Mesmo antes da decisão tomada pela UEFA, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, cancelou a viagem a Munique para a partida de futebol a contar para o Euro 2020 entre a Hungria e a Alemanha em resposta às críticas generalizadas ao seu governo sobre a legislação anti-LGBTQ aprovada.

O que fez o ‘mundo’ do futebol?

A decisão da UEFA foi mal recebida em toda a Alemanha e também no resto da Europa. Clubes de futebol em cidades como Colónia, Frankfurt e Berlim anunciaram planos de iluminar os seus próprios estádios com as cores do arco-íris para “preencher o vazio”, enquanto organizações do corpo de bombeiros de Munique à rede ferroviária nacional, Deutsche Bahn, publicaram mensagens no Twitter de apoio aos ativistas LGBTQ +.

Juventus e Barcelona estiveram entre outros clubes de futebol europeus para mostrar o seu apoio e também o Sporting CP que recorreu às redes sociais para partilhar uma imagem com o símbolo do clube envolto com as cores do arco-íris para apoiar a causa LGBT. Nas publicações, o clube leonino escreveu “diversidade e inclusão”.

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