Respostas Rápidas. Votos dos emigrantes dão dois deputados ao PS e outros dois ao PSD mas geram polémica

Desde os resultados passando pelas dificuldades que tiveram os emigrantes, terminando no que disseram os partido são vários os pormenores desta história.

eleições_legislativas_voto_urna_votar
Mário Cruz/Lusa

O voto dos emigrantes já foram contados e o PS continua a ter maioria absoluta e a ser o grande vencedor das eleições legislativas. No entanto, a contagem tem gerado alguma controvérsia.

Quais os resultados da contagem dos votos dos emigrantes?

Os votos dos emigrantes nas legislativas deram mais dois deputados ao PS e dois deputados ao PSD. O PS obteve 37,72% e o PSD 28,40% dos votos, seguidos do Chega que terminou com 9,86%.

Que problemas surgiram aquando da votação dos emigrantes?

Segundo um estudo da associação Também Somos Portugueses (TSP) dos 44% de eleitores que responderam não ter conseguido votar, 69% afirmou que não recebeu o boletim de voto. Entre estes, 12% não receberam por estarem recenseados em Portugal e 8% por não estarem na sua morada habitual. Os restantes 31 % afirmaram que não conseguiram votar por outras razões.

Antes das eleições a associação tinha alertado para “centenas de milhares de portugueses que estão neste momento em risco de terem o voto anulado por terem o cartão de cidadão caducado”. Existiram também problemas com as datas para o voto.

O que diz o Governo?

A ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunem , admitiu que houve alguma “má compreensão do regime eleitoral”. “Partimos do pressuposto de que, estando tudo exposto, as pessoas percebiam a diferença de regime e que estariam em condições de perceber que havia um limite para se inscreverem para o ato eleitoral”, referiu Francisca Van Dunem.

O que dizem os partidos?

Na terça-feira, o PSD contestou junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE) a validação de votos de emigrantes sem estarem acompanhados de cópia do cartão de cidadão. De acordo com declarações de Maló de Abreu, do PSD, à Lusa, o partido apresentou reclamação junto das mesas e depois junto da CNE, por estarem a ser contados todos os boletins de voto recebidos, incluindo os que não estão acompanhados de cópia do cartão de cidadão.

Por sua vez, o deputado socialista Paulo Pisco, acusou o PSD de “oferecer um espetáculo degradante” e recordou que em reunião com a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) todos os partidos concordaram que seriam validados todos os votos.

À esquerda, o PCP lamentou a “instrumentalização do processo eleitoral”. “A intervenção do PSD nas Assembleia de Apuramento dos círculos eleitorais da Europa e de Fora da Europa conducente à anulação de milhares de votos de eleitores baseada na invocação de procedimentos legais, visa no essencial a instrumentalização, questionamento e perturbação do processo eleitoral”, apontam os comunistas em comunicado divulgado no site do partido.

“O PCP lamenta a instrumentalização do processo eleitoral para fins que pouco têm a ver com os interesses das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro”, diz o partido com representação parlamentar.

Já os liberais escolheram as redes sociais para falar sobre o assunto. “Não podemos ser um país que empurra as pessoas para a emigração e depois dificulta-lhes fortemente o seu direito de voto”, escreveram no Twitter os liberais.

Paralelamente, noutra publicação, a IL referiu que “foram invalidados 157 mil votos na emigração”. “Os acordos de amigos entre PS e PSD conduzem inevitavelmente a um Estado que funciona muito mal, que falta ao respeito de forma grave aos contribuintes e cidadãos”, disseram.

Relacionadas

Resultado final da votação dos emigrantes pode só ser conhecido amanhã

PS tenciona recorrer, junto do Tribunal Constitucional, da decisão da mesa da assembleia de apuramento geral de anular os votos recolhidos em mesas que juntaram votos válidos com votos considerados nulos por não virem acompanhados de cópia do cartão de cidadão do eleitor.

Governo fez “levantamento exaustivo” dos emigrantes que não puderam votar, garante MAI

“Partimos do pressuposto de que, estando tudo exposto, as pessoas percebiam a diferença de regime e que estariam em condições de perceber que havia um limite para se inscreverem para o ato eleitoral”, afirmou.
Recomendadas

“Intervenção policial quase inexistente”. IL quer esclarecimento sobre distúrbios em Guimarães

O grupo parlamentar questiona “o Senhor Ministro da Administração Interna, que foi, aliás, cabeça de lista pelo PS no círculo de Braga nas eleições legislativas de Janeiro passado, mas também da Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, que tutela o Desporto”.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta quarta-feira, 10 de agosto

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcaram o dia informativo desta quarta-feira.

Chega diz que responsabilidade por resposta aos distúrbios em Guimarães é do Governo

O Chega quer que o ministro da Administração Interna venha “a público dar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos de ontem”.
Comentários