Prevalência da Ómicron pode chegar a 80% até ao final do ano. O que é que já se sabe sobre esta variante?

O Governo e especialistas estimam que a prevalência da variante Ómicron em Portugal pode chegar aos 50% na semana do Natal, colocando em cima da mesa a possibilidade a administração de uma quarta dose da vacina e até o regressa da obrigatoriedade da máscara nas ruas. O que é que já se sabe?

A Ómicron tem suscitado atenção dos líderes mundiais, mas também cientistas pela sua rápida propagação. Em Portugal tem igualmente ganho terreno rapidamente. A ministra da Saúde já deixou o alerta que “os próximos dias vão ser decisivos” para perceber o impacto da variante Ómicron e que este “é um momento difícil” onde o país está novamente a ser “posto à prova”, no entanto deixou claro que o Governo está “preparado para tudo”.

Qual a prevalência atual e futura da Ómicron?

A variante descoberta pela primeira vez na África do Sul já representa 20% dos casos da Covid-19 em Portugal e de acordo com os dados apresentados esta sexta-feira, pela ministra da Saúde, Marta Temido, tudo indica que deverá manter a tendência de crescimento nos próximos dias.

“Com base nas estimativas, sabemos que a prevalência desta variante ronda já os 20%, sabendo-se que poderá ser de 50% na semana do natal e de 80% na semana do final do ano”, explicou Temido. Atualmente, há já 69 casos identificados em Portugal associados à variante Ómicron.

Como é a Ómicron comparada com a variante Delta?

Os especialistas já concluíram que esta variante é mais transmissível que a variante Delta, a estirpe predominante em Portugal até à data.

“Com uma duplicação de casos de um a dois dias na África do Sul e de dois a três dias na Dinamarca e Reino Unido. Em Portugal estamos a estimar um tempo de duplicação de dois dias”, referiu a ministra da Saúde, esta sexta-feira. Ainda assim, Marta Temido aponta que esta variante “aparenta uma menor gravidade da doença e da consequente letalidade”.

Por sua vez, o vice-presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública (AMSP), Gustavo Tato Borges descreveu ao Jornal Económico que “a Ómicron é mais infeciosa, mais virulenta do que a variante do que a variante Delta. Os dados que temos apurados indicam que não parece estar a provocar mais doença grave, nem sequer uma sintomatologia mais severa e portanto parece ser uma variante do vírus que provoca doença mais leve”.

Gustavo Tato Borges classificou a Ómicron como “uma novidade” tendo em conta a “quantidade de mutações”, o que faz com que “seja bastante diferente da variante Delta”.

O que diz o Governo sobre o combate à Covid?

O primeiro-ministro, António Costa já deu garantias de que fará “tudo o que for necessário para travar pandemia”, anunciado que as medidas restritivas para o controlo da pandemia em Portugal, nomeadamente nas fronteiras, vão prolongar-se além do dia 9 de janeiro e que já se fez um pedido de aquisição de vacinas, para o caso de ser necessária uma quarta dose

O chefe do Governo explicou ainda que o pedido de compra abrange a quantidade suficiente para poder ser administrada “uma quarta dose de reforço”, caso essa necessidade se venha a confirmar.

Por sua vez, Marta Temido sublinhou que o Governo poderá voltar a ponderar um eventual regresso da obrigatoriedade de máscara na rua, sem que a medida tenha que passar pelo Parlamento, mas que para já o “essencial” é que se mantenha a utilização de máscara em espaços fechados. Não obstante, dada a elevada transmissibilidade da Ómicron, a ministra diz que “é recomendável” utilizar máscara na rua, quando há muitas aglomerações de pessoas.

As vacinas são eficazes contra a Ómicron?

As vacinas atuais continuam a ser eficazes contra a mais recente variante, mas menos.

A 15 de dezembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que as primeiras evidências demonstram que as vacinas contra a Covid-19 podem ser menos eficazes contra a infeção e transmissão associada à variante do coronavírus Ómicron. Assim, as farmacêuticas já iniciaram o processo de ajuste à nova variante.

No caso da vacina produzida em conjunto pela Pfizer e BioNTech a terceira dose neutraliza a Ómicron, como anunciaram as farmacêuticas a 8 de dezembro. Os estudos destacaram que o reforço com a versão atual da vacina aumenta os anticorpos 25 vezes.

Existem tratamentos eficazes contra a Ómicron?

Sim. A 2 de dezembro a GlaxoSmithKline anunciou que o seu tratamento contra a Covid-19 demonstrou ser eficaz contra a nova variante Ómicron. “Os dados preliminares demonstram que o sotrovimab, autorizado em vários países do mundo, mantém a atividade contra todas as variantes testadas, incluindo as principais mutações do Omicron”

A 14 de dezembro foi a vez da Pfizer, tendo revelado que os os comprimidos anti-covid reduzem o risco de hospitalização ou morte pela doença em 89% dos casos e demonstrou ser eficaz contra a variante sul africana.

Depois, a 17 de dezembro, a AstraZeneca citou um estudo de laboratório conduzido por investigadores independentes da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, para afirmar que o seu cocktail de anticorpos, Evusheld, funciona contra a nova variante Ómicron.

 

 

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