Respostas rápidas. Por que está o primeiro-ministro isolado se foi vacinado?

“Isto tem de ser explicado, para que não haja a ideia errada de que a vacina não serve para nada. Nós temos de vacinar e vacinar mais, há uma campanha de vacinação importante em curso e, por isso, é bom que os portugueses não fiquem com dúvidas”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, pedindo explicações às autoridades de saúde.

O primeiro-ministro português foi colocado em isolamento profilático depois de um membro do seu gabinete ter testado positivo. Esta é uma medida que já foi aplicada muitas vezes, e em diversas ocasiões, mas a primeira de conhecimento público quando já se está imunizado contra o vírus da Covid-19.

Depois do isolamento de António Costa se tornar conhecido, o Presidente da República veio a público pedir explicações, com a Direção-Geral da Saúde a admitir que se trata do “princípio da precaução”.

O que aconteceu?

O primeiro-ministro português teve dois contactos de risco nesta semana que passou: com o homólogo luxemburguês e com o membro do seu gabinete.

Numa nota do Palácio de São Bento foi adiantado que “praticamente” não existiu contacto com o primeiro-ministro do Luxemburgo durante o último Conselho Europeu na semana passada, mas que António Costa iria fazer o teste de despiste apesar de já ter as duas doses da vacina há mais de mês e meio. O teste realizado na segunda-feira revelou que o primeiro-ministro não contraiu o vírus, apesar do homólogo luxemburguês estar infetado e com sintomas ligeiros.

Ao dia de ontem, 30 de junho, o gabinete de Costa revelou que o chefe do Governo estava em isolamento profilático depois de um membro ter testado positivo e de se tratar de um contacto de risco. “Em virtude de ter estado em contacto com um membro do gabinete que veio a ser um caso confirmado positivo à Covid-19, e não obstante já ter as duas doses da vacina há mais de mês e meio e de ter cumprido as regras de distanciamento físico e uso de máscara, o primeiro-ministro está a cumprir um período de confinamento profilático determinado pelas autoridades de saúde”, lê-se no comunicado do Palácio de São Bento.

São Bento fez saber que o primeiro-ministro testou negativo e está sem sintomas mas que se mantém em isolamento e com a “atividade executiva à distância”.

Quais as críticas lançadas por Marcelo?

O Presidente da República defendeu que as autoridades de saúde têm de explicar publicamente a razão do primeiro-ministro português estar em isolamento depois de ter tido contacto com um infetado, apesar de estar devidamente inoculado e de ter certificado digital de vacinação.

“Isto tem de ser explicado, para que não haja a ideia errada de que a vacina não serve para nada. Nós temos de vacinar e vacinar mais, há uma campanha de vacinação importante em curso e, por isso, é bom que os portugueses não fiquem com dúvidas”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado adiantou que é preciso explicar aos cidadãos “por que é que uma pessoa, apesar de vacinada há mais de um mês com um certificado que lhe permite andar pela Europa e pelo mundo, e sair de território português, está sujeita à mesma obrigação de quarentena ou de isolamento profilático durante dez dias que uma pessoa não vacinada ou só com uma dose de vacina”.

“Eu acho que esta explicação é importante, se não as pessoas ficam baralhadas, e a autoridade do Estado implica a credibilidade, credibilidade quer dizer que as pessoas acreditem em quem define regras, porque, se deixam de acreditar, entram em desconfinamento selvagem, que não tem nada a ver com o desconfinamento organizado”, apontou o Presidente da República.

Qual a explicação da DGS para o isolamento de Costa?

Em resposta à questão lançada pelo Presidente da República, a Direção-Geral da Saúde assume que o isolamento do primeiro-ministro se trata de um “princípio da precaução em Saúde Pública”.

A DGS considera que as regras de contacto com infetados, mesmo com a vacinação, deve seguir o mesmo princípio. “As pessoas vacinadas são abordadas, no que diz respeito ao isolamento e testagem, respetivamente, da mesma forma que as pessoas não vacinadas”, seguindo-se as normas 015/2020 e 019/2020 da DGS.

Ainda assim, as autoridades de saúde admitem uma alteração das normas. “Esta matéria encontra-se presentemente em discussão e poderá ser atualizada com base na evolução da evidência científica e se a situação epidemiológica assim o suportar”.

Quando é que Costa foi vacinado?

O primeiro-ministro português foi vacinado no dia 15 de fevereiro de 2021, mais de um mês depois do processo de vacinação ter sido iniciado em Portugal, a 27 de dezembro de 2020.

António Costa recebeu a primeira dose da vacina contra o SARS-CoV-2 no Hospital das Forças Armadas em Lisboa, e a segunda terá sido recebida em meados de maio, quando perfaziam as 12 semanas de diferença entre tomas.

O primeiro-ministro foi inoculado com a vacina da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca aos 59 anos de idade. Neste mesmo dia, também a ministra da Saúde, Marta Temido, recebeu a primeira dose da vacina, enquanto o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, foi vacinado na sexta-feira anterior, a 12 de fevereiro.

Já foram identificadas pessoas infetadas tendo vacinação completa?

Sim. Até ao passado dia 17 de junho foram identificadas 1.231 pessoas infetadas já depois de terem a vacinação completa após os 14 dias de referência, o que significa que 0,06% dos vacinados contraíram o vírus.

Sabe-se que deste valor, 37% estavam na faixa etária dos mais de 80 anos e 8% na faixa dos 70 aos 79 anos, estando os restantes distribuídos por outras faixas etárias.

A DGS adiantou ainda que ocorreram cinco óbitos em pessoas que já tinham sido imunizados, tendo quatro das mortes ocorrido em cidadãos com mais de 80 anos.

Depois destes dados terem sido apresentados, as autoridades de saúde fazem questão de relembrar que as vacinas contra a Covid-19 não apresentam uma taxa de eficácia de 100%, com as mesmas a rondar os 90% a 98%.

Qual o estado da situação epidemiológica atualmente em Lisboa e Vale do Tejo?

Lisboa e Vale do Tejo tem sido classificada como a região de Portugal com mais incidência, colocando o país à beira de uma quarta vaga do vírus da Covid-19.

Até quarta-feira, 30 de junho, Lisboa e Vale do Tejo somava um total de 340.038 casos, sendo que 1.336 novos casos foram identificados pelas autoridades nas 24 horas anteriores.

Em termos de óbitos, Lisboa e Vale do Tejo é a região que mais contabiliza mortes. De acordo com o relatório da situação epidemiológica, foram registados um total de 7.263 mortes.

Como está a decorrer o processo de vacinação?

No domingo passado, a 27 de junho, Lisboa ultrapassou a meta de 50% da população já vacinada com uma dose da vacina, sendo que 28% já estão completamente inoculados com as duas doses.

Os dados das autoridades de saúde divulgados na terça-feira, 29 de junho, adiantam que 51% da população residente em Lisboa e Vale do Tejo já iniciou o processo de vacinação. Assim, até à data, 2.900.309 cidadãos já foram vacinados na região, tendo sido administradas mais 271.270 vacinas na semana em análise (de 20 a 27 de junho).

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