Respostas Rápidas. Quais as reações ao arraial da Iniciativa Liberal?

Apesar do parecer negativo da DGS, a celebração dos Santos Populares organizada pelo partido aconteceu. E seguiram-se críticas aos liberais que organizaram uma festa onde era possível fazer tiro ao alvo e acertar na cara de ministros.

Lusa

Pelo segundo ano consecutivo, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) suspendeu a celebração dos Santos Populares. No entanto, a Iniciativa Liberal (IL) avançou com o seu próprio arraial.

Na véspera da festa, o candidato liberal à Câmara de Lisboa, Bruno Horta Soares, e o líder da IL, João Cotrim Figueiredo, anunciavam no Twitter que iriam “ser uns Santos diferentes”, mas haviam encontrado “uma solução. Amanhã a partir das 17h00, no Largo Vitorino Damásio em Santos, pela Liberdade e para que Lisboetas possam voltar a viver”. Depois, veio a celebração e, seguidamente, várias críticas de partidos e comentadores políticos.

A Direção Geral de Saúde (DGS) autorizou a festa?

O evento foi anunciado como sendo “político” para cerca de mil pessoas, e todas as atividades além do comício tiveram um parecer negativo da DGS.

A 12 de junho, no dia da festa, o delegado de saúde regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Carlos da Silva, referiu ser, num parecer a que a Lusa teve acesso, “desfavorável relativamente a todas as atividades que extravasem o referido comício político”, defendendo que “atendendo ao princípio de precaução em saúde pública, e pela situação epidemiológica atual na cidade de Lisboa, a mesma não deverá ocorrer e ser adiada”.

O que disse a Polícia de Segurança Pública (PSP)?

No mesmo dia em que foi divulgado o parecer da DGS, a PSP considerou que o arraial consubstanciava um evento político-partidário e que cabia à IL zelar pelo cumprimento das regras em vigor face à atual situação pandémica.

Como foi a festa?

Além das 20 barraquinhas desaconselhadas pela DGS,  era possível jogar ao tiro ao alvo com arco e flecha, sendo que em pelo menos um desses locais o alvo era um manequim sem mãos vestido com uma t-shirt de Che Guevara. Depois, o manequim ganhou a cara de de Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, entre outras figuras governamentais e políticas.

O que disseram os liberais no evento?

Durante a festa, João Cotrim Figueiredo deixou um recado a quem acreditava não ser possível realizar o arraial. “Aos que diziam que não havia condições para celebrar os santos em segurança e alegria, provámos o contrário e aqui estamos”, referiu o líder liberal.

Por sua vez, Bruno Horta Soares frisou: “Não quisemos organizar este arraial pela festa e pela alegria, queríamos mostrar que este não era o momento da alegria, mas da esperança para Lisboa. É o arraial em que provamos que não há impossíveis. Só não encontra soluções, senhor Medina, quem não vai à procura delas”.

O que disse o autarca de Lisboa sobre o evento?

Depois das sardinhas e do tiro alvo foi a vez das críticas. No domingo, 13 de junho, o presidente da Câmara de Lisboa defendeu que o arraial promovido pela IL se tratou “de uma utilização alterada” da lei de manifestação e que contrastou com “o comportamento exemplar” dos lisboetas.

“Relativamente àquilo que assistimos da parte da Iniciativa Liberal, trata-se de uma utilização alterada daquilo que a lei prevê, que é a liberdade de manifestação, que foi utilizada da forma que se viu de um partido político que atuou em exceção e contrária ao que vimos por toda a cidade”, referiu Fernando Medina.

Como reagiram os partidos com representação no Parlamento?

No mesmo dia, o presidente do Partido Social Democrata (PSD) acusou a IL de ter feito pior do que o PCP, ao organizar um arraial depois de ter criticado a Festa do Avante. “Como é possível a IL ter criticado o PCP e agora ainda fazer pior que os comunistas”, questionou-se Rui Rio sobre o assunto, no Twitter.

No CDS-PP, o líder do partido sublinhou “que o liberalismo da IL rima com negacionismo e que, contrariamente àquilo que julgávamos, a IL e o PCP têm muito mais em comum do que poderíamos supor à primeira vista”.

À esquerda, o Bloco de Esquerda criticou o jogo do atira o alvo e o PCP desviou-se de comentários sobre o arraial liberal.

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