Respostas Rápidas. Refugiados da Ucrânia recebidos por russos na autarquia de Setúbal. O que está em causa?

Cidadãos ucranianos viram os documentos pessoais serem copiados na Câmara Municipal de Setúbal por russos com ligações a instituições relacionadas com o presidente Vladimir Putin.

O que aconteceu aos refugiados da Ucrânia na Câmara de Setúbal?

De acordo com o jornal “Expresso” os refugiados vindos da Ucrânia foram recebidos no gabinete de apoio da autarquia comunista por russos com ligações a instituições relacionadas com o presidente Vladimir Putin que terão copiado os documentos pessoais dos cidadãos ucranianos, sendo que as mulheres foram questionadas sobre o paradeiro dos maridos e admitem agora terem medo das consequências desse ato.

Pelo menos 160 refugiados ucranianos já foram recebidos por Igor Khashin, antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e pela mulher, Yulia Khashin, trabalhadora do município, que entretanto foi afastada destas funções enquanto a situação não for esclarecida.

Como reagiu a autarquia de Setúbal?

Numa publicação no Facebook, a Câmara Municipal de Setúbal revelou que este gabinete de apoio funciona “desde o início da invasão russa da Ucrânia, um serviço de atendimento a refugiados ucranianos e tem prestado todo o apoio necessário ao acolhimento destas pessoas, em direta e permanente articulação com diferentes entidades, nomeadamente a Segurança Social, Alto Comissariado para as Migrações, Instituto de Emprego e Formação Profissional e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”.

No entanto, e devido a todo este cenário, a autarqua decidiu retirar do acolhimento de cidadãos ucranianos Yulia Khashin citada na notícia do “Expresso” até ao total e inequívoco esclarecimento desta situação.

Qual a reação dos partidos políticos?

A deputada da Iniciativa Liberal (IL), Joana Cordeiro, referiu que o partido “está a acompanhar com extrema preocupação” as informações sobra a situação que considera “extremamente grave” e “completamente inadmissível”.

Também o PSD, através do vice-presidente da bancada parlamentar, Ricardo Baptista Leite, afirma que a “ser verdade”, o partido “repudia absolutamente e considera inaceitável esta atitude por parte das autoridades locais, neste caso a Câmara de Setúbal, e de todas as entidades envolvidas” exigindo que “sejam imediatamente cessadas” quaisquer atividades desta natureza e que haja esclarecimentos.

Por sua vez, o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, destacou que “a primeira pergunta que se coloca é de facto se isto é um caso único ou se existe uma generalidade de associações que são solidárias”, garantindo que o partido esta “solidário com estas situações”, mas admitiu não perceber o “enfoque naquela câmara”.

Já Rui Rio, presidente do Partido Social Democrata (PSD) deseja que toda a situação seja esclarecida. “É evidente que aquilo que ali está obriga a que se esclareça bem aquilo que tem acontecido. A suspeita que existe tem de ser esclarecida, se calhar havia ali alguém ligado ao regime russo a questionar ucranianos sobre eles e sobre as famílias que lá ficaram”.

Qual a resposta de António Costa?

Através de um comunicado, o gabinete do primeiro-ministro veio desmentir a Câmara Municipal de Setúbal sobre uma carta enviada a 11 de abril pela autarquia para o Palácio de São Bento, onde pediu a António Costa para se pronunciar sobre as declarações da Embaixadora da Ucrânia em Portugal relativas à Associação EDINSTVO, ligada aos imigrantes de leste, nos serviços municipais responsáveis pelo acolhimento de refugiados.

“A carta que o Presidente da Câmara Municipal de Setúbal dirigiu ao Primeiro-Ministro no passado dia 11/04/22 é um protesto sobre declarações prestadas pela Embaixadora da Ucrânia em Lisboa, à CNN, e foi reencaminhada para os efeitos tidos por convenientes para o MNE”, começa por dizer o gabinete de António Costa em comunicado. “Na referida carta não é solicitada qualquer informação sobre a Associação EDINSTVO, nem sobre o cidadão Igor Khashin”.

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“A primeira pergunta que se coloca é de facto se isto é um caso único ou se existe uma generalidade de associações que são solidárias”, disse Jerónimo de Sousa.
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