Resultados em Filadélfia vão atrasar para conferir duplicações

As autoridades eleitorais de um condado em Filadélfia, Pensilvânia, anunciaram hoje que vão atrasar a contagem de milhares de boletins, para garantir que não há duplicação de votos.

10 – Estados Unidos

De acordo com os ‘media’ norte-americanos, os comissários eleitorais de Filadélfia – capital do estado de Pensilvânia, considerado um dos estados cruciais para o resultado final das eleições intercalares que hoje decorrem nos EUA – decidiram tomar precauções adicionais para se precaverem de situações em que os eleitores podem querer votas duas vezes (uma por correspondência e uma presencialmente).

Esta medida obrigará a um atraso na contagem de votos num dos estados mais disputados destas eleições, nomeadamente para o Senado, onde o Democrata John Fetterman e o Republicano Mehmet Oz aparecem a par nas sondagens.

Os comissários concordaram em ativar o processo chamado de “reconciliação de livro de pesquisas” – um elaborado processo que procura eliminar a duplicação de votos, mas que inevitavelmente atrasa a contagem dos boletins de voto, remetendo os resultados finais apenas para os próximos dias.

Inicialmente, e por decisão de um tribunal de recurso da Pensilvânia, as autoridades eleitorais da Pensilvânia tinham decidido abdicar deste processo, apesar dos pedidos de vários comissários, preocupados com a eventualidade de contestação de resultados.

Contudo, numa reunião de comissários realizada esta manhã, foi decidido restabelecer este processo, o que irá implicar que cerca de 15.000 a 30.000 boletins de voto não serão contados esta noite, para que seja possível averiguar a existência de duplicações.

Para já, este condado de Filadélfia foi o único a aprovar esta decisão de conferir a existência de votos duplicados, mas os ‘media’ norte-americanos acreditam que a medida pode vir a ser exigida em vários outros pontos do país, ao longo da noite eleitoral, sobretudo nos estados onde existem grupos contestatários dos processos de contagem.

Nas últimas semanas, vários grupos radicais de extrema-direita (alguns dos quais próximos do ex-Presidente Donald Trump) organizaram-se e obtiveram formação para estabelecerem protocolos de controlo das votações, alegando que as eleições presidenciais de 2020 (que deram a vitória ao Democrata Joe Biden) foram resultado de fraudes, que temem possam vir a repetir-se.

As eleições intercalares norte-americanas que hoje se realizam determinarão qual o partido que controlará o Congresso nos dois últimos anos do mandato do Presidente Joe Biden, estando também em jogo 36 governos estaduais e vários referendos estaduais a medidas sobre questões-chave, incluindo aborto e drogas leves.

Em disputa estarão todos os 435 lugares na Câmara dos Representantes, onde os democratas atualmente têm uma estreita maioria de cinco assentos, e ainda 35 lugares no Senado, onde os democratas têm uma maioria apenas graças ao voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris.

As eleições podem não apenas mudar a cara do Congresso norte-americano, mas também levar ao poder governadores e autoridades locais totalmente comprometidos com as ideias de Donald Trump. Uma derrota muito pesada nestas próximas eleições pode complicar ainda mais o cenário de um segundo mandato presidencial para Joe Biden.

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