Rio diz que partido tem de fazer oposição credível e não “do bota-abaixo” ao PS

Na sessão, Rui Rio voltou a lembrar os militantes que a razão pela qual se recandidata a presidente do partido “não é o PSD”, mas, sim, Portugal, porque ser “apenas” candidato a líder dos sociais-democratas não o “motiva particularmente”.

O presidente e recandidato à liderança do PSD, Rui Rio, defendeu hoje que o partido tem de fazer uma oposição credível e construtiva ao Governo socialista e não uma oposição “do bota-abaixo” e que “é contra tudo”.

“Entendo que temos de fazer uma oposição ao PS credível. A oposição tem de ser credível, não pode ser uma oposição do bota-abaixo, não pode ser uma oposição que diz mal de tudo e é contra tudo o que vem do outro lado, porque não estamos num clube de futebol”, disse Rui Rio, em Beja, numa sessão que juntou cerca de 40 militantes e decorreu no âmbito da sua recandidatura à presidência do partido.

O líder social-democrata reiterou que fazer uma oposição “credível e construtiva”, as eleições autárquicas de 2021 e a abertura do PSD à sociedade são as suas três prioridades para a ação do partido para os próximos dois anos.

Segundo Rio, “a política não pode ser emoção, tem de ser, acima de tudo, racionalidade” e “as decisões têm de ter a sua racionalidade”.

“Eu não posso, uma vez que estou na oposição com racionalidade, ser contra tudo aquilo que os outros fazem, porque todos sabemos que não há ninguém no mundo que faça tudo mal, nem há ninguém no mundo que faça tudo bem”, considerou.

“Um Governo do PS não faz tudo mal e um Governo do PSD não faz tudo bem, isto é assim. Se é assim, temos de ter o comportamento adequado a isso e, portanto, temos de fazer a denúncia, que sabemos e devemos fazer enquanto partido de oposição”, explicou.

Frisando que “a denúncia é o mais fácil, é o que todos fazem e, às vezes, a oposição fica só pela denúncia”, o presidente do PSD disse que o partido deve fazer denúncia, porque “isso pressiona o Governo em funções a fazer bem aquilo que está mal” e “também é útil, é o papel da posição”, mas “não pode é ser só isso”.

Como tal, o PSD tem “também de ser capaz de fazer a crítica, mas uma crítica construtiva, não a crítica pela crítica e a crítica destrutiva”, realçou, referindo que é através da crítica construtiva que o partido “mostra a ótica pela qual resolveria um problema” e depois tem de “ter naturalmente também a capacidade de apresentar alternativa”.

“E, ao mesmo tempo, quando for de concordar, também ter a grandeza de concordar ou, dito de outra maneira, ter a humildade de concordar. Isto é que é uma posição credível”, salientou, insistindo que “uma oposição que diz mal de tudo e que vota contra tudo o que vem do outro lado é uma oposição que não tem credibilidade”.

Este tipo de oposição “pode satisfazer a massa associativa interna, que são aqueles que veem isto como uma perspetiva clubística, mas não tenham dúvidas nenhumas de que não convence ninguém lá fora”, frisou, observando que “as pessoas que estão lá fora na sua vida têm os seus problemas, não estão minimamente ligadas a estas tricas partidárias e aos corredores da política” e querem é que “a política resolva os problemas”.

Na sessão, Rui Rio voltou a lembrar os militantes que a razão pela qual se recandidata a presidente do partido “não é o PSD”, mas, sim, Portugal, porque ser “apenas” candidato a líder dos sociais-democratas não o “motiva particularmente”.

“A razão pela qual eu me candidato a presidente do PSD não é o PSD, isto dito com toda a frieza. A razão primeira pela qual eu me candidato a presidente do PSD chama-se Portugal, não se chama PSD”, reafirmou, frisando que esta ideia “tem de ficar clara”.

Acrescentando que os militantes que “não concordam” com esta ideia e acham que Rio deve pôr “sempre” os “interesses táticos” do PSD “à frente” do interesse de Portugal “têm de saber” a razão pela qual é recandidato, para “terem uma oportunidade de ouro de não votarem” nele.

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