“Se o risco soberano se agravar, pode complicar-se o financiamento às empresas”

Os banqueiros afirmam que não existem problemas no financiamento às empresas mas alertam que não é desejável que bancos assumam os riscos do passado.

Cristina Bernardo

Os principais responsáveis por alguns dos maiores bancos nacionais garantem que as “médias e boas” empresas não têm hoje qualquer problema no acesso ao crédito bancário. Antes pelo contrário, “os spreads hoje possivelmente já estarão até abaixo do que deviam face ao risco de algumas empresas”, afirma Nuno Amado, adiantando que: “Financiamos as empresas em condições que não financiamos sequer o Estado português”. O presidente do BCP, que falava hoje no Fórum Banca, organizado pelo Jornal Económico em parceria com a PwC, deixa no entanto um alerta: “Se o risco soberano se agravar, aí sim, pode complicar-se o financiamento às empresas”. Recorde-se que as taxas de juro da dívida pública têm vindo a subir nas últimas semanas, com a ‘yield’ a 10 anos a atingir recentemente máximos de nove meses, acima dos 3,7%.

Vieira Monteiro nota igualmente o interesse da banca em conceder crédito, nomeadamente a empresas. “O sistema bancário tem excesso de liquidez, que coloca no BCE e paga por isso, e portanto temos todo o interesse que apareçam bons projetos e boas empresas”, afirma o presidente do Santander Totta. Luís Pereira Coutinho, presidente do banco dos CTT, que se prepara para entrar no mercado do crédito à habitação, reafirma precisamente que existe “uma grande concorrência entre os bancos, quer em termos de preço, quer em termos de risco. Haverá certamente algumas franjas de risco que os bancos, correctamente, não estão interessados”.

Mas para que o crédito possa fluir para a economia é necessário também que os bancos terminem um processo de desalavancagem em curso há vários anos. Isso mesmo salienta o responsável do Novo Banco: “O crédito caiu 18 mil milhões de euros e o grande desafio é encerrar o trabalho começado e retomar o financiamento. Mas é verdade que os bancos portugueses estão em níveis diferentes de gestão do risco”.

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