Roberto Ugo, fundador da Movvo

O prémio do MIT deu-nos capacidade para formar uma equipa Três alunos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto quiseram ajudar um professor que detestava fazer compras. A tentativa para resolver o problema resultou numa empresa. Roberto Ugo explica que o prémio do MIT Portugal, no valor de 400 mil euros, ajudou a aumentar […]

O prémio do MIT deu-nos capacidade para formar uma equipa

Três alunos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto quiseram ajudar um professor que detestava fazer compras. A tentativa para resolver o problema resultou numa empresa. Roberto Ugo explica que o prémio do MIT Portugal, no valor de 400 mil euros, ajudou a aumentar as perspectivas de negócio, mas não foi suficiente. Tudo porque para a empresa crescer tem de estar no estrangeiro. Para Roberto Ugo, Portugal é um local de testes, a verdadeira expansão do negócio está “lá fora”.

Como surgiu a ideia da Movvo?

Éramos três investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e um dos nossos professores tinha um problema que tentámos resolver. Ele não gostava de fazer compras e nós fizemos com base num aplicação móvel, na altura com um Nokia, que dada a lista de compras lhe dava o caminho mais curto para sair do centro comercial. Estávamos em 2009. Mas isto deixou-nos a pensar. Que tecnologia existiria para se poder saber quais os percursos, todo o caminho de uma pessoa? E verificámos que a tecnologia utilizada pelos retalhistas era bastante limitada, usavam computadores passivos ou câmaras de infra-vermelho, tudo muito limitado. Então começámos a fazer alguns protótipos na Faculdade. Um deles com o qual se verificava através de Bluetho qual seria a localização das pessoas. Em 2011, vencemos o prémio MIT em Portugal, que nos deu capacidade financeira para desenvolver um protótipo mais robusto e que não usasse apenas Bluetooth.

De quanto foi o prémio?

A primeira tranche foi de 200 mil euros e depois vencemos a grande final e ganhámos outros 200 mil euros. Conseguimos, no total, 400 mil euros e com esse prémio passámos a ter capacidade para formar uma equipa, na altura éramos os fundadores e mais uma pessoa. Deu-nos capacidade para ir crescendo, fazer investigação em Wi-Fi e GSM, de forma a termos um produto robusto, forma três anos de desenvolvimento, porque o protocolo é bastante restrito e é bastante I&D para termos o que temos, se não as outras empresas também faziam o que nós fazemos. E no ano passado começámos a vender em força a nossa tecnologia.

Só passaram a ser empresa com o prémio ou já o eram antes?

Já eramos empresa, porque em 2010 decidimos que queríamos avançar com uma empresa. Estávamos um pouco fartos de só fazer investigação porque os projectos não saíam da gaveta e não os conseguíamos levar à realidade do mundo dos negócios. Então começámos com a empresa, mas com outro projecto. Não conseguimos vender logo o produto, ainda não estava comercializável. Desde aplicações móveis a outro tipo de software começamos a fazer tudo isso. Com o prémio, dissemos que nos íamos dedicar só a este projecto e avançar.

Os 400 mil euros foram suficientes para ter o produto que tem hoje?

Não. Tivemos mais investimento de business angels e a Caixa Capital e a Sonae investiram no ano passado também. Depois de termos o produto pronto foi necessário fazer uma ronda num total de 1,6 milhões de euros para criar uma equipa de vendas e tratar do marketing, para conseguirmos comercializar esta tecnologia.

Foi fácil conseguir esse financiamento? A Sonae ajudou porque precisa desse sistema?

Sim, para testarmos a nossa tecnologia a primeira porta a que fomos bater foi à da Sonae Sierra. A nossa tecnologia adequa-se a centos comerciais e eles arriscaram connosco a fazer um produto piloto. Foi o que nos permitiu melhorar a tecnologia e testá-la no local.

Já estão em fase de cruzeiro em termos de comercialização?

Começámos a comercializar em Julho do ano passado, tínhamos quatro localizações com o nosso sistema, em quatro centros comerciais. Actualmente, já estamos em quase 180 espaços, entre lojas e centros comerciais, em 9 países.

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