Rui Rio formaliza candidatura à liderança do PSD e critica isenção total do IVA nos partidos

O candidato a sucessor de Pedro Passos Coelho afirmou que a alteração à lei do financiamento dos partidos “é uma matéria onde facilmente se faz demagogia”.

Rui Rio formalizou esta quinta-feira a sua candidatura à liderança do Partido-Social-Democrata (PSD), na sede nacional do partido, em Lisboa. O candidato a sucessor de Pedro Passos Coelho afirmou que a alteração à lei do financiamento dos partidos “é uma matéria onde facilmente se faz demagogia”.

“Qualquer coisa relativamente aos partidos políticos, aquilo que fica bem é dizer mal dos partidos políticos e bater nos políticos. Não me limito a dizer aquilo que sei que as pessoas querem ouvir. Digo o que entendo que é correto e justo”, argumentou o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto.

A seu ver, devem ser clarificadas no diploma quais as isenções de IVA, nomeadamente, no que diz ou não respeito à “divulgação da mensagem do partido”. No entanto, Rui Rio mostrou-se novamente contra à total isenção de imposto de valor acrescentado.

“Se me fizesse a pergunta há dois anos diria isto. Faz-me a pergunta agora eu digo isto”, justificou, em declarações aos jornalistas. “Acho que é demais (…). Não digo por ser o que as pessoas querem ouvir lá fora”, acrescentou, sublinhando que, caso passe a liderar o PSD, o partido será contra a isenção total do IVA.

O candidato a dirigente dos sociais-democratas considera que a lei “estava lógica” e tinha problemas de clarificação que deveriam ser resolvidos, e não alterar de forma tão significativa o quadro legal. “Não sou constitucionalista, mas não estou a ver onde possa haver inconstitucionalidade aqui. Estamos mais no domínio político: ou achamos justo ou achamos injusto”, reaçou, a propósito das dúvidas que têm surgido sobre se a nova legislação vai ao encontro da Constituição da República Portuguesa.

O PSD vai escolher o novo líder a 13 de janeiro.

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